quinta-feira, 21 de novembro de 2013

No fim, parece que todos vão se salvar

     No fim, salvamo-nos todos. Pelo menos foi a impressão que ficou do nosso primeiro encontro com o esperado - e eventualmente temido - professor de Medieval II. O tempo pode, até, nos fazer mudar de ideia e concordar com os que traçaram o perfil nada agradável que o precedeu. Hoje, não.
     Na verdade, no lugar de alguém inacessível, arrogante e presunçoso, surgiu um jovem professor que procurou ser agradável o tempo todo. Em alguns momentos, agradável até demais. Mas não vi, nesse fato, algo desabonador. Talvez tenha sido o caminho que ele inteligentemente escolheu para desarmar os espíritos.
     Paciente com a nossa ignorância, tentou semear algumas ideias que certamente vai desenvolver em seguida. Explicou, até mesmo, a grande confusão que se formara quando nos surpreendeu com textos em francês, encarados como obrigatórios e imediatos.
     No melhor dos mundos, isso talvez não fosse considerado algo excepcional. Por aqui, nessas terras macunaímicas, ainda é. Mais hoje do que no século 19, precisamos reconhecer. Ficou tudo esclarecido: os tais textos da discórdia foram oferecidos como complementares, acessórios.
     Já a partir da próxima aula, os atalhos para a compreensão do mundo medieval devem começar a ser trilhados com a tranquilidade de estradas pavimentadas por um bom começo, embora tardio.
     PS: Na segunda-feira, já sanados os entraves burocráticos que atrasaram a contratação de um novo professor, começamos a trilhar os caminhos da Filosofia.

sábado, 16 de novembro de 2013

Além dos gramados

     Seria ótimo, se eu pudesse dizer, hoje, quando estamos a poucos dias de completar um mês de aulas, que vai tudo bem no nosso curso de História, como aconteceu no período anterior. Não estaria sendo honesto. Há problemas inesperados, como a falta de dois professores, o que certamente vai comprometer o rendimento da turma.
     Problemas burocráticos impediram que tivéssemos aula de Filosofia. O professor - recentemente aprovado em concurso - estaria preso a pilhas de documentos ou algo semelhante. A situação que me parece mais grave, no entanto, remete à disciplina de História Medieval II, fundamental na nossa formação.
     Já existe um professor, antigo na Universidade, mas ele ainda não se materializou. Sabemos que ele está em algum lugar, pois nos convocou - sem resultados, é claro!!! - para uma aula no campus de Nova Iguaçu (???) e postou dois textos para trabalhar em aula, em francês (????). Como ignoramos a convocação e não nos deslocamos de Seropédica e ele não apareceu para cobrar nossos conhecimento da língua de Napoleão, ficou tudo com dantes.
     Também estamos sentindo falta de alguma 'química' entre alunos e professores das disciplinas de Teoria e Metodologia da História e Ciências Políticas. Particularmente, confesso que fujo um pouco à maioria, pois  gosto dessas matérias. O erro, nesse caso, é meu, não tenho dúvidas.
     Para compensar, no entanto, reencontramos a professora Renata Sancowsky, agora em Antiga II (deu aulas de Medieval, no período passado). É bem verdade que ela já nos 'ameaçou' com mais de duas dezenas de textos. Mas nem tudo pode ser 'perfeito', embora ela se aproxime bastante dessa categoria.
     E há os jardins, gramados, lagos, prédios e a gente que forma esse mundo da Rural.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Aluno extra

Atento à aula

     Foi como se não tivesse havido a interrupção para as férias. A Turma 31 manteve sua afinidade, a ligação entre os alunos. Nosso espaço, no entanto, já não é o mesmo. As aulas têm sido ministradas no PAT, sigla que significa Pavilhão de Aulas Teóricas, um prédio moderno, mas sem a 'alma' do conjunto arquitetônico do Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS) e o aconchego da sala 18. E distante - muito distante - do ponto de ônibus localizado na antiga Rio-São Paulo.
     De alguma maneira, no entanto, o PAT incorporou determinadas expressões do espírito da Rural. Uma delas é a presença de cães nas salas de aula. No ICHS, eles chegavam aos bandos, farejando a oportunidade de ganhar um agrado dos estudantes. Alguns, mais desinibidos, entravam nas salas.
     No PAT, pelo menos um manteve o privilégio de dividir a sala de aulas com os estudantes. É verdade que não faz parte da matilha que perambula pelo campus. Ao contrário. Anda quase sempre no colo de sua dona, exceto quando ela está exercendo sua função: dar aula de matemática. Nesses momentos, deita no chão e acompanha as explicações.
     Coisas da Rural.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Um dia de reencontros

     Foi um dia de agradáveis e calorosos reencontros. Quase todos os componentes iniciais da turma 31 do Curso de História estavam na nova sala de aula que passamos a usar, no moderno Pavilhão de Aulas Teóricas, o PAT. Também foi um dia para reencontro com o bandejão, lotado, com uma fila que consumia algo em torno de 25 minutos, a partir do meio-dia.
     Por questões internas, saímos do agradável conjunto de prédios dos Institutos de Educação e de História e Ciências Sociais. Nossa antiga sala, a 18 (reformada no período de férias), está sendo ocupada pelos jovens que acabaram de chegar à Universidade Rural. Todos com quem falei sobre o tema - nosso exílio no PAT -, foram unânimes em afirmar que preferiam a o ambiente antigo, que tem claramente o perfil do nosso campus.
     É evidente que a estrutura do PAT é melhor. Tudo funciona a contento, o mobiliário é novo. Mas conforto e tecnologia não são os únicos atributos que a maior parcela da turma cultua.
Em termos práticos, hove outro reencontro, com a única das professoras do primeiro período, Renata Sancovsky, agora responsável pelas aulas de História Antiga II (era de Medieval). E como no período anterior - foram 28!!! - , há uma promessa de muitos textos pela frente.
     Já ia encerrar esse texto sem falar no cardápio do nosso restaurante universitário: para quem, como eu, tem aversão a aves, foi 'duro', literal e retoricamente, encarar as almôndegas.
   

sábado, 26 de outubro de 2013

Às vésperas do recomeço

     Eu já estava pronto para voltar às aulas, de fato, após 'todo' esse tempo de férias. O período letivo, teoricamente, começou segunda-feira passada. Mas a semana foi dedicada à integração dos novos alunos, uma tradição na Rural. A garotada foi apresentada aos jardins, lagos e caminhos da Universidade, certamente a que tem o campus mais bonito do país. Cheguei a me preparar para curtir também esses dias, mas fui 'obrigado' a aproveitá-los em compromissos profissionais inadiáveis.
     A expectativa desse novo recomeço - cada período letivo representa um desafio para mim - me fez esquecer, até, que segunda-feira que vem é o Dia do Funcionário Público (lembrado por Jéssica) e que, portanto, não haverá atividades na Universidade. O reencontro com a turma 31 ficou para terça-feira, dia da semana que já está 'consagrado' às aulas de História Antiga II, com a excelente Renata Sancovsky, mestra e doutora também em Medieval (foi nossa professora  dessa disciplina no período passado).
     Nesse intervalo entre os períodos letivos, a turma manteve o contato, mesmo de forma indireta, através da rede social. Afinal, também temos um grupo 'fechado', que reúne alunos da turma e alguns 'agregados', jovens que conquistaram um lugar entre nós.
     Será um enorme prazer rever Ana Carolina, as Bárbaras,  as Camilas, Carolina, Jéssica, Júlia, Lauane, Mariana, Tainara, Thaís, Solange, Bruno, Caio, Edcarlos, Eduardo, Fábio, Felipe, os dois 'Gabriéis', Gustavo, Hugo, Jéfferson, Jonathan, Leonardo, Lucas, Welton, Sérgio ...
PS: Fui escrevendo os nomes, de memória. Se fosse um 'teste', vocês passariam com louvor.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Na prática, a teoria é outra

     Definitivamente, eu e as normas de Prática de Produção de Textos Científicos não nos demos muito bem, embora tenhamos convivido com relativa dignidade ao longo do período passado. Eu até sei que essa disciplina é importante no processo, mas briguei até o fim com os cabeçalhos padronizados, com as margens e espaçamentos obrigatórios, com a formalidade da apresentação do pensamento.  
     A culpa foi sempre minha, não tenho dúvidas. Depois de 40 anos tentando explorar as possibilidades de um texto mais livre, menos 'elaborado', aberto às ideias que surgem naturalmente, no processo de criação - mesmo que fosse na 'criação' de uma notinha de colunão -, fui encurralado pela forma.
     O resultado foi a nota menos expressiva do período letivo, um 8,8 que me colocou no devido e merecido lugar de aprendiz, não mais de dono da palavra final, como estava habituado ao longo da maior parte da minha vida em redações.
     Uma nota que me fez lembrar um episódio bem mais antigo, mas semelhante em oportunidade, que está reproduzido no Nariz de cera, meu livro de memórias e histórias. Eu estava em o Globo, no fim da metade dos anos 1970, e havia sido promovido a repórter especial, um dos dois primeiros da história da Geral do jornal  (o outro foi Marcelo Pontes, um dileto amigo que me deu o prazer, anos mais tarde, de ter sido meu editor-chefe no Jornal do Brasil, nos anos 1990).
     Com a 'prepotência' que costuma acometer a juventude, achava que tudo sabia. Certo dia, pouco antes de meu horário de trabalho terminar, foi convocado para cobrir a morte de uma jovem, encontrada nas pedras da Avenida Niemeyer. Tudo indicava suicídio. Ponderei com o chefe de então que não tinha sentido me mandar - um repórter 'especial' - para esse incidente. Além do mais, nós não publicávamos suicídios.
     Fui 'convencido' a correr, sim, pois as circunstâncias - alegava meu superior - também apontavam para outras possibilidades. Fui, contrariado. O desdobramento do caso mostrou que eu estava errado, que não sabia de tudo, como imaginava. A jovem, Cláudia Lessin Rodrigues (não esqueci jamais o nome), havia sido morta por dois homens - um jovem de classe alta e um cabeleireiro famoso.
     O crime, estúpido, mobilizou a cidade e ocupou as manchetes por meses seguidos, batizado de o 'Caso Cláudia'.

sábado, 28 de setembro de 2013

Só dia 21 ...

     Confesso a vocês, mais uma vez, que estou contando os dias para a volta às aulas. Férias são naturalmente bem-vindas, em quase todas as situações. Houve época em que mal conseguia chegar aos trinta dias de folga, de alívio das pressões do dia a dia nas redações. Voltando ainda mais no tempo, lembro que comemorava bastante os intervalos na faina dos bancos escolares.
     Moleque, sonhava com os dias inteiros dedicados à peladas matinais e pipas vespertinas nas ruas ainda sem asfalto do saboroso subúrbio de Marechal Hermes. Adulto, valorizava a oportunidade de sair por aí, conhecendo o que podia do país, crianças reclamando das horas de estrada, no banco traseiro dos Chevettes e Monzas da vida.
     Nessa nova fase, nesse que eu chamo de 'desafio intelectual' a que me dedico, no curso de História da UFRRJ, as férias - confesso - estão no fim da minha lista de prioridades. Não vou negar que até aproveito as folgas nas obrigações diárias de ler uma penca de textos e nos apertos em ônibus no percurso entre a Pedra, onde me refugio, e o campus universitário mais bonito do país, às margens da antiga Rio-São Paulo, no distante município Seropédica.
     O prazer do debate, da troca de ideias e do convívio com gerações tão distintas - de alunos e professores - vem superando, com folgas, eventuais e compreensíveis desgastes. O primeiro período letivo - atípico, em função de greves - passou muito rapidamente.
     O segundo ainda vai demorar um pouco, começa dia 21 de outubro. A expectativa de todos é muito grande. Essa sensação é bem forte e fica clara, para mim, ao acompanhar a movimentação virtual do grupo, na comunidade de alunos da qual faço parte prazerosamente.
     Já estou imaginando a festa do reencontro.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Férias, de fato e de direito

Cercado por alguns alunos (Welton, Fábio, Bárbara, as duas Camilas, Eduardo e Mariana), Lobianco faz as correções da prova optativa, na sala renovada
 
     Agora, sim. Férias, de fato e de direito. O último encontro do período foi com Luís Lobianco, de História Antiga.  Não poderia ter terminado de outra forma!  Atrasos fora, houve tempo de fazer uma prova optativa (para fugir da dependência e/ou aumentar o conceito final) e rediscutir notas anteriores. Todos os 16 alunos que se dispuseram a esperar por ele, Lobianco, saíram satisfeitos, embora muito depois da hora imaginada.
     E só não demorou mais porque fomos literalmente 'expulsos' da sala pela turma da noite, também envolvida em uma prova final. Cansados de esperar, alunos e a professora abriram a porta e foram entrando. Os últimos ajustes foram feitos no corredor, mesmo, em torno das cadeiras empilhadas das demais salas, que - depois da nossa, a 18 - estão passando por uma ampla e necessária reforma.

Bárbara, Carolina e Eduardo: um 'trio trinta'

     O próximo período só começará dia 21 de outubro. Até lá, teremos que organizar a nova grade e definir nossas disciplinas optativas. Já me decidi por passar mais um período com Lobianco. Acredito que muitos vão fazer a mesma opção. O único inconveniente é o horário: das 18 às 20 horas, duas vezes por semana, após as aulas 'normais'. Fica a certeza de muitas emoções e viagens pelo Egito faraônico.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Relaxei. Já estamos de férias!

     Acordei um pouco mais tarde do que tem sido normal, assustado, já pensando na correria para pegar os três ônibus - é isso mesmo, três ônibus!!! - que me levam quase diariamente da Pedra ao campus da UFRRJ, lá no quilômetro  47 da antiga Rio-São Paulo, em Seropédica. Eventualmente - confesso - me dou o direito de ir de carro. Mas o prazer tem sido tão grande que venho abrindo mão até mesmo desse conforto relativamente oneroso, trocado pelo passe livre nos ônibus, nas idas e vindas.
     "Logo hoje", pensei, "dia de Teoria e de Fábio Lopes, que não se atrasa". Antes mesmo de levantar, no entanto, já havia me dado conta de que não haveria aula, que estávamos de férias, eu e meus jovens companheiros da turma 31  do Curso de História.
     De fato, já estamos de férias, sim, embora Luís Eduardo Lobianco (História Antiga) tenha marcado uma aula final sobre Grécia, aproveitando o dia que vai dedicar à sua prova optativa, sexta-feira. Foi um período intenso, de encontros e - no meu caso - reencontros.
     A maior evidência de que praticamente não houve desencontros está estampada no resultado: todos superaram os desafios, algo raro, especialmente em grupos relativamente grandes, como o nosso. É verdade que, no caminho, surgiram alguns sustos. O alívio completo, por exemplo, só surgiu após a divulgação das notas de História Medieval.
     Particularmente, tem sido uma experiência absolutamente gratificante, não apenas - e já seria suficiente - pelo que eu classifiquei, desde o início, de um renovado 'desafio intelectual', mas pela oportunidade de conviver com outras gerações, de alunos e professores, em um ambiente tão especial como é o nosso campus. Convivência que, nesse caso, é sinônimo de aprendizado, de troca.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Corações mais leves

     A sexta-feira 13 foi especial para a turma 31 do Curso de História da UFRRJ. Todos - exatamente, todos! - foram aprovados nas duas disciplinas que mais provocavam preocupação, pela intensidade dos textos e dos professores: Medieval, com Renata Sancovsky, uma das referências da Rural; e Teoria e Metodologia da História, com Fábio Lopes, uma das outras, certamente.
     Para completar o dia, praticamente o último desse período letivo, a prova final de História Antiga, com o efervescente Luís Eduardo Lobianco, foi bem resolvida por todos, graças à ajuda muito bem-vinda de dois dos ótimos alunos - Eduardo Douglas e Bárbara Lima -, que doaram uma boa parte de seus conhecimentos para a turma toda, numa espécie de aula extra antes do início da 'provação'.
     Para quem não ainda estava inteiramente seguro sobre alguns pontos das histórias de Israel e Egito, como eu, foi perfeito. Não por acaso, dois dos pontos mais bem ressaltados por Bárbara e Eduardo caíram na prova: o 'pacto abraânico', que definiu a aliança entre Deus e o povo hebreu; e a teofania, a representação do Senhor através dos fenômenos da natureza, como a 'nuvem espessa que cobriu o monte Sinai e o templo de Salomão'.
     Ficou bem mais fácil, também, identificar os deuses que participavam de uma cena de psicostasia (cerimônia de pesagem do coração - o ib - de um morto) e entender o que cada um fazia, naquele momento.
     'Ao fim e ao cabo', como diria Fábio Lopes, a turma escapou da voracidade dos nossos 'Ammits', os temíveis (professores ...)  devoradores de notas e de férias.

domingo, 8 de setembro de 2013

Está chegando a hora ...

     Vândalos? Só se fossem os originais, e na véspera de alguma prova de Medieval. O fim de semana foi dedicado a um pacotaço de textos para a prova de Teoria e Metodologia da História, marcada para amanhã. A penúltima desse período. Ficarão faltando, 'apenas', a prova de Antiga (Mesopotâmia pré-sargônica, Israel, Egito e Grécia ...) e a entrega de um trabalho de grupo sobre Cleópatra, a última rainha do Egito, marcadas para sexta-feira.
     Mal tive tempo de ver o Vasco deixar de vencer sua última partida do primeiro turno do Campeonato Brasileiro, contra o Atlético Paranaense. Foram dois dias imersos no Historicismo, Positivismo e Escolas Metódica e dos Annales. É o que é mais interessante: gostei de cada momento, o que me anima para enfrentar o próximo período letivo, se tudo der certo, é claro.
     E esse 'tudo der certo' quer dizer, exatamente o seguinte: passar batido, sem necessitar recorrer a optativas ou - o que seria mais grave - ficar com alguma dependência. Assim como a maioria absoluta da turma, acredito em um rendimento ao menos razoável. E, desde já, fica o compromisso: vou 'prestar conta', aqui.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

E o primeiro período se foi (ou quase) ...

À espera do início das aulas, em frente à sala 18, que está sendo reformada

     De um momento para outro, me dei conta de que o período letivo está acabando. Mais dez dias de aulas e entraremos - eu e os demais componentes da turma 31 - na semana de optativas, uma espécie de eufemismo para 'recuperação', a antiquíssima 'segunda época'.
     Pelo que se pôde depreender até agora, as férias começarão bem cedo para todos. Duas das seis disciplinas (das quais cinco exigem aferição) já estão definidas: Sociologia e Prática de Produção de Textos Científicos. Em Medieval, falta apenas a apresentação do seminário de um ou dois grupos, o que deve acontecer na próxima quarta-feira.
     Segunda-feira haverá a última prova de Teoria e Metodologia da História, valendo 6 pontos. Os demais quatro pontos já foram conferidos, equivalem ao desempenho durante as aulas e devem ser suficientes para definir a média necessária de todos.
     A grande incógnita continua sendo História Antiga, que será definida, não por acaso, como brincou nosso professor, na próxima sexta-feira, dia 13. Quantos passarão pelo julgamento final e se livrarão de Ammit, a 'grande devoradora de corações', sempre lembrada por Luís Lobianco, nos seus e-mails?
A expectativa é que todos nós sobrevivamos ao julgamento final, sem necessidade de contratar escribas especiais para nos defender e abrir os caminhos do próximo período letivo, que vai começar no dia 21 de outubro.
     Particularmente, torço para que continuemos nas instalações do Instituto de Ciências Humanas e Sociais, de preferência na mesma sala 18, que começou a passar por algumas reformas ontem e que devem avançar pela troca de duas janelas e acabar com as infiltrações que vêm corroendo teto e paredes.

     PS: A princípio, se tudo se mantiver no ritmo atual, o 'bolão' criado por minhas filhas não terá vencedores. As apostas sobre meu tempo de duração no curso variavam de  meros sete dias a três meses.

sábado, 31 de agosto de 2013

Entre greves e quentinhas

     Não tenho dúvidas que, no geral, a vida na Universidade Rural está ajustada e segue muito bem para nós, da turma 31 do curso de História, especialmente no campo acadêmico. Mas há  complicadores no caminho. Há alguns dias estamos convivendo com uma greve dos funcionários administrativos, que reivindicam pagamento de insalubridade e outras vantagens. Na sua luta, que é justa, incorporam, também, os terceirizados.
     Mas há diversas consequências, destaque para a mudança no serviço prestado pelo Restaurante Universitário. Sem poder oferecer refeições  não apenas aos que moram no campus, mas aos milhares de estudantes que não teriam uma opção econômica ao 'bandejão', a direção da UFRRJ contratou uma empresa para fornecer 'quentinhas'. O sabor - segundo os comensais mais habituais, o que não é o meu caso - é bom. Já a variedade ...
     Na quarta-feira, a ausência de funcionários nos atingiu diretamente. Convocados para um seminário obrigatório, de Educação e Sociedade, fomos surpreendidos com um fato prosaico, que deixou aturdidos os professores: não havia quem abrisse o auditório do Pavilhão de Aulas Teóricas, o PAT, onde seria realizado o encontro.
     A solução intermediária foi aguardar a liberação de uma das salas de aula, para a apresentação improvisada do seminário. No fim, salvaram-se todos, embora amontoados em um espaço normalmente usado pela metade dos que lá estavam.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Seminários e desafios

A História da Vida Privada, tornada pública, com Jéssica e Ana Carolina
 
  Uma semana de desafios para grande parte da turma 31 do curso de História da UFRRJ (e eu me incluo nesse grupo). Os seminários de História Medieval e de Sociologia praticamente monopolizaram a atenção, a preocupação, as horas livres e as noites de sono de quase todos. Medieval, em especial, pela presença muito forte da professora Renata Sancowsky, uma referência da Universidade, sem demérito algum para os demais docentes, todos de um nível de excelência incontestável.

O 'alentado' grupo do seminário de Sociologia: Sérgio, Caio, eu, Bruno, Jéssica e Ana Carolina

     Ontem, eu, Jéssica Angel e Ana Carolina, duas jovens de enorme talento, atravessamos quase mil anos de história da vida privada. Hoje, nós três nos juntamos a outros três jovens (Sérgio, Bruno e Caio), montamos uma espécie de 'supergrupo' e apresentamos à jovem professora Sabrina e à turma uma proposta de reflexão sobre três momentos de suicídio: o que acontece especialmente em países felizes; o de Getúlio Vargas; e o dos componentes da seita do 'pastor' Jim Jones, morticínio que atingiu 908 pessoas.
     Paralelamente, tive o prazer de acompanhar os seminários de outros grupos e refletir com eles. Confesso, mais uma vez, que essa retomada da vida acadêmica tem sido muito prazerosa e gratificante.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Alívio na sala 18

     Há uma evidente sensação de alívio no ar da sala 18 do Instituto de Ciências Humanas e Sociais da UFRRJ. O primeiro dia de apresentação de seminários de História Medieval foi muito bem aproveitados pelos dois grupos que deram a partida nessa fase do curso, uma das mais temidas.
     O resultado ficou acima das expectativas, animando os demais. A tensão refluiu. Todos viram que é possível, sim, agradar Renata Sancovsky, a ótima professora que vem deixando muita gente sem dormir direito, em função do volume de textos, complexidade dos temas e exigência.
     Meu grupo está programado para quarta-feira que vem. Eu, Jéssica Angel, Ana Carolina e Hugo Oliveira vamos falar de uma obra absolutamente interessante: a 'História da vida privada', coletânea que abraça as relações sociais no período de tempo que vai do Império Romano ao ano 1000.
     Torço para que nosso desempenho fique próximo do demonstrado por Tainara, Júlia, Cássia, Fábio, Jéfferson, Welton e Bárbara.
     PS: Tenho a sensação de ter esquecido algum nome ... Ou de ter misturado com as apresentações que se seguiram, na aula de Prática e Produção de Textos Científicos (PPTC, para os íntimos ...).

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Um bom final de 'Dia'

     Depois de duas palestras burocráticas, de interesse restrito, a tarde acabou bem - eu diria que muito bem! - para nossa turma. Mais uma ótima aula de Fábio Lopes, professor de Teoria e Metodologia da História, com base em texto de Antônio Paulo Benatti, da Unicamp e da Unioeste: "História, ciência, escritura e política".
     Durante cerca de uma hora e meia  - tempo que nos sobrou -, conseguimos discutir as raízes do historicismo no século XIX, escola criada pelo alemão Leopold von Ranke, baseada exclusivamente na verdade dos fatos, que ele considera determinante no processo de efetivação da história como uma ciência. Uma ciência nos padrões da época.
     São momentos como esse que -  na minha interpretação - justificam a vida acadêmica. O confronto de ideias, a discussão sobre escolas de pensamento, o desafio de ser confrontado com sensibilidades diferentes.
     Foi um bom fecho para o Dia do Historiador, lembrado por alguns dos meus jovens companheiros de turma.
     PS1: Embora entediantes, as palestras foram proferidas por dois excelentes e reconhecidos professores: Angela Castro Gomes e Paulo Fontes.
     PS2: Um dos meus jovens colegas das Turma 31, Felipe, não foi à Universidade hoje. Está com catapora. Essa garotada ...

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Essa garotada está mostrando seu valor ....

     É evidente que eu vou me sentir bem - muito bem!!! - se fechar esse primeiro semestre letivo com uma média razoável, como vem acontecendo até agora. Mas, definitivamente, isso não era e continua não sendo meu objetivo principal nesse cada vez mais prazeroso retorno aos bancos escolares. Minha meta é explorar ao máximo o convívio num campus como o da Rural e a oportunidade de vivenciar o desafio intelectual representado por um curso superior, especialmente o de História, pela sua abrangência.
     Não há a pressão do desempenho, da luta diária pela conquista de um 'CR' alto, requisito fundamental em um mundo saudavelmente competitivo , como o acadêmico. É o prazer de estudar pelo prazer do conhecimento, levado a sério, é claro.
     Não tenho dúvidas que esse novo momento nas suas vidas também é extremamente prazeroso para meus jovens colegas de classe, mas envolto por uma camada de pressões inerentes à idade e às expectativas imediatas. E isso me faz admirar ainda mais essa garotada que vem se desempenhando muito bem, e que me conquistou definitivamente.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

"Ao fim e ao cabo ..."

     Minha turma passou, hoje, pelo seu primeiro, grande e tenso teste: a prova de História Medieval. Há uma semana, praticamente, meus colegas da turma 31 viviam essa expectativa, especialmente em função do volume de textos exigido - 23!!!, segundo aqueles que conferiram o desafio que havia pela frente.
Nem mesmo a avaliação de Teoria e Metodologia da História - outra disciplina que mexe com o emocional dos meus jovens  companheiros desse curso de História da UFRRJ - havia provocado tantas dúvidas, incertezas e, de certo, noites mal-dormidas.
     Pela primeira vez, o tempo - duas horas - não foi suficiente para a maioria responder como gostaria às duas questões levantadas por Renata Sankovsky. Basicamente, o cristianismo no século IV e as características desse mesmo cristianismo no Império Bizantino.
     A prova de hoje sacrificou inexoravelmente a primeira aula do dia, de Introdução à Sociologia. A sala estava praticamente vazia e nossa doce Sabrina optou por voltar à discussão da aula anterior, sem avançar muito na debate do texto de Emile Durkheim, fundamental à disciplina.
     Acredito, entretanto, que, ao "fim e ao cabo", como gosta de repetir Fábio Lopes (professor de Teoria), o resultado seja de razoável para bom. Pelo menos Eduardo Douglas e Gabriel Lutz estavam bem satisfeitos (perdoem o esquecimento de algum nome). Há uma semana, apresentaram um seminário que versava, justamente,  sobre o tema da segunda questão.
     
     PS: Estou corrigindo uma injustiça (mais uma...): além de Eduardo e Gabriel, aprendi muito sobre Bizâncio com Camila Carvalho, que também participou do seminário.
   

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Em tese, a Teoria foi ótima ...

     Mais uma nota. Dessa vez, de Teoria e Metodologia da História. A turma - como eu previra - saiu-se muito bem, como um todo. Mas não posso deixar de ressaltar o desempenho de Jéssica Angel, Bruno Resende, Sérgio Bastos e Hugo de Oliveira, que se juntam a Tai, Camilas (Oliveira e Carvalho), Bárbara Santos e a Jefferson, destaques da primeira avaliação de Prática de Produção de Textos Científicos. A próxima nota deve ser de Sociologia. Uma incógnita, para mim, mas que está sendo precedida de boas perspectivas para a maioria.
     A maior expectativa de todos, no entanto, refere-se ao que vai acontecer quinta-feira, na prova de História Medieval. Não por falta de conhecimento da matéria. Ao contrário. A turma tem demonstrado que está bem em todas as disciplinas. Mas é impossível prever - sou obrigado a admitir - o que pode acontecer quando algo como duas dezenas de textos podem ser exigidos, ao mesmo tempo, em um par de questões.
     PS: Peço desculpas antecipadamente por eventuais falhas ou esquecimentos.

domingo, 11 de agosto de 2013

Saudades do 739 ...

     Para começar a semana, uma confissão: jamais pensei que sentiria saudades dos ônibus da linha 739, que liga Campo Grande a Seropédica e que deixei de usar no meu trajeto para a Universidade, para fugir dos inacreditáveis engarrafamentos do quilômetro 32 da antiga Rio-São Paulo. Pois lamentei profundamente não estar em um deles, no meio da semana que terminou ontem.
     Na minha busca por uma opção de percurso menos traumática, mudei meu trajeto diário para as aulas. Troquei o roteiro que me levava da Pedra a Campo Grande e Seropédica (e vice-versa) por outro mais longo, é verdade, mas normalmente mais rápido e indolor: Pedra, Santa Cruz, Itaguaí e Seropédica.
     Visto assim do alto (parodiando Paulinho da Viola), mais parece uma dupla maratona. Mas essa rota acaba reduzindo cada viagem em algo em torno de 40 minutos. Ida e volta, é uma economia nada desprezível de 80 minutos diários. Um incidente, no entanto, transformou o trecho entre a Rural e Itaguaí, normalmente vencido em 35 minutos, em um dos mais longos da minha vida.
     Estávamos, eu e Jéssica Angel, companheira de atribulações, iniciando nossa jornada da volta quando um grupo bem grande entrou no ônibus da linha 434. Logo percebemos que havia um componente estranho: um senhor de terno completo, algo inusitado naquelas bandas, naquele horário. Mal o veículo deixou o ponto, o tal senhor entoou um oração qualquer e começou, aos berros, uma pregação destinada a salvar a nós, pecadores.
     Sem levar em conta os pedidos calorosos para que calasse a boca e respeitasse os demais, o pregador passou a ameaçar com o castigo divino a quem ousava ponderar, sem tomar fôlego, ao longo de intermináveis 25 quilômetros. Já próximos do fim do sacrifício, ouvimos a ameaça final: não adianta trocar de ônibus, ou de horário, pois ele passa o dia fazendo os mais diversos percursos.
     - Eu vou encontrar vocês a qualquer momento", assegurou.
     No 739 ele jamais aparecera.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

O 'ib' de Lobianco

O julgamento de Lobianco

     Luiz Lobianco, nosso professor de História Antiga, é um personagem talvez inigualável. Já escrevi, há alguns dias, que ele produz uma torrente de informações que não se 'limitam' aos séculos de civilizações mesopotâmica, egípcia, grega e romana. Seu mundo não cabe em meros dez ou  doze séculos. Ao contrário, avança por todas as variáveis que vão surgindo minuto a minuto. Não tenho dúvida em afirmar que é um exemplo clássico da efervescência que deve presidir a vida acadêmica.
     Seu perfil muito particular é capaz de fazer seus ouvintes viajarem por diversos universos. Não tenham dúvida: ele é um espetáculo, em si mesmo. Alguém capaz, por exemplo, de nos surpreender com uma cena inigualável, como a de hoje. Atrasado para o início da aula - por razões absolutamente justas!!! -, ligou para Bárbara, nossa aluna-representante, e pediu que fôssemos para a sala de aula e começássemos a preparar um resumo sobre um dos textos, para debate. Marcou um horário. Não conseguiu cumprir.
     De repente, a porta da nossa sala - fechada, para preservar o alívio proporcionado por um aparelho de ar-condicionado - abre-se e surge Lobianco, irresistível, de joelhos, pedindo desculpas por chegar além do horário. Ainda ajoelhado, olha para o quadro de giz e fica emocionado ao ver que um grupo de alunos tinha esboçado seu julgamento, à moda egípcia.
     Condenado a não penetrar no mundo de Osíris (na balança, seu coração - o ib - pesara mais do que a pluma de avestruz), levanta e começa no mesmo momento a falar sobre deuses e mitologia.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Um momento 'ruralino'

Jéssica, Mizael e Ana Carolina: 'troca' de sorrisos
Bárbara, nossa 'representante' (esq.), Eduardo e Solange

     O dia foi especial, hoje, na Rural, marcado por uma iniciativa de sucesso absoluto: uma feira em que todos levavam e pegavam o que queriam, sem preocupações com o valor e a quantidade de objetos. A ideia foi desenvolvida, em particular, por dois alunos: Mateus,  o doce 'hippie' de Ciências Sociais (nosso vizinho de prédio), e Ana Carolina, que ilumina nossa turma, a 31, do curso de História.

À frente, Solange, Carolina, Mariana, Bárbara e Ana Carolina. Na fila de trás, Welton, eu, Jonhatan, Eduardo e Felipe 

Uma saudável 'disputa' por livros

     Espalhados no chão, sobre plásticos, em frente ao restaurante, centenas de objetos, os mais variados, destaque para os livros, muitos livros. Sérgio, por exemplo, conseguiu um exemplar de '1822', em perfeitas condições. Bruno, seu companheiro inseparável (ambos são vascaínos, como eu), fez questão de 'O Manifesto', tema recorrente em nossas aulas de sociologia.
     No entorno, uma farta distribuição de abraços. Bastava pedir. Megafone em punho, Mizael, um dos veteranos mais ativos do curso, anunciava as ofertas especiais.
     Algumas horas de confraternização e demonstrações de desprendimento, do sentimento que rapidamente foi absorvido por nós, o 'ruralismo', algo, de fato, contagiante.
Um dos grupos da turma 31, procurando novidades

Havia ofertas para todos os gostos

     Foi prazeroso poder ter tido a chance de participar desse momento.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Expectativa frustrada

     Ficou no ar um misto de decepção e ... alívio. Todos os que estavam na aula de hoje Teoria e Metodologia da História achavam que Fábio Lopes divulgaria as notas da última prova, que tem peso 6. Não foi dessa vez. Ficou para segunda que vem.
     Se, por um lado, adiou a improvável chateação de alguns, também evitou que a semana começasse bem para outros. Confesso que fiquei 'dividido'. Seria ótimo partir para a prova de Sociologia e para o teste de Medieval, ambos na quinta-feira, de moral alta. Mas um desempenho irregular certamente teria suas influências.
     Acredito, entretanto, que a média dessa turma 31 especial tenha sido boa. Nosso professor deixou a entender que estava satisfeito com o rendimento: "Algumas notas excelentes e outras não tão excelentes", adiantou.  E mais não disse.
     Entendi - e espero que esteja certo - que o "não tão excelente" eventual flerta com o bom. O que é ótimo.

sábado, 3 de agosto de 2013

O mundo é medieval

     Um sábado típico dos últimos dois meses: ler e tentar entender a proposta de um texto para debates na aula de Teoria e Metodologia da História, de Fábio Lopes; uma retocada no texto-base para o seminário de Prática de Produção de Textos Científicos, de Marli Pereira; e um mergulho nas primeiras das 400 páginas do primeiro volume da coleção História da vida privada, para outro seminário, este, de Medieval I, de renata Sankovsky.
     O domingo já tem dono: Sabrina, professora de Introdução à Sociologia, que marcou sua prova. Uma prova que vai englobar- só! - a matéria toda, dos textos iniciais de Marx (1818-1883) ao recentíssimo, sobre a vida nas cidades, sobre a pressão exercida pelo dinheiro no cotidiano das pessoas, do alemão Georg Simmel (1858-1918). E ainda não comecei a me debruçar sobre o pacotaço de textos para as aulas de Medieval da semana que começa amanhã.
     E essa nova alusão às aulas de História Medieval é uma evidência da realidade que a turma inteira vem destacando, em tom de brincadeira, nas conversas no pátio interno do Instituto de Ciências Humanas e Sociais: tudo leva a crer que não há outro mundo, além do Medievo.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

O bandejão, afinal ...

   
Leonardo, Luís Cláudio, Alisson e Emanuele: outro grupo que se destacou na apresentação de Medieval
     Finalmente, depois de dois meses, fui conhecer o Restaurante Universitário aqui da UFRRJ, o nosso 'bandejão'.  A última experiência que tive com bandejões aconteceu nos meus tempos de Jornal do Brasil. E, passados mais de 13 anos, confesso que não guardo boas recordações. 
     Aliás, para ser bem sincero, não sinto saudade alguma sequer do 'Brito's', que era como batizávamos informalmente o restaurante usado basicamente pelo pessoal da redação e diretores, tomando como referência o 'nome de guerra' do nosso patrão, o Dr. Nascimento Brito (todo dono de jornal é 'doutor'...).
     Eu e um fraterno amigo, o artista Bruno Liberati (ilustrador, chargista etc etc etc), almoçávamos quase diariamente em um restaurante a quilo, ali ao lado do Campo de São Cristóvão.  Era, também, uma maneira de sair um pouco da redação, dar uma espairecida.

Sara e Tai, uma dupla que valeu por duas ou três, na apresentação
     Voltando ao bandejão da Rural: foi uma experiência bem agradável. A comida, embora não muito variada, estava, até!, gostosa. Sem falar no custo-benefício: R$ 1,45. É verdade que havia um tempero extra, fundamental: o fato de eu estar dividindo aquele momento com uma multidão de jovens simpáticos, alegres, entre os quais Jéssica e Welton, que foram meus cicerones, e Solange, que estava algumas mesas depois da nossa.
          As fotos? Não têm a ver com o texto. Estou apenas tentando corrigir a omissão na postagem de ontem.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

No século IV, o Cristianismo ...

Eduardo, Gabriel, Solange e Thaís, os primeiros a enfrentar o 'desafio'

     A turma toda excedeu hoje, na apresentação oral de um trabalho sobre o Império Romano no século IV d.C e os Editos de Milão e Tessalônica, fundamentais, também, para o entendimento da Idade Média. Os vários grupos conseguiram o que parecia bem complicado: falar sobre os mesmos temas sem que caíssem apenas em repetições óbvias.

Caio, Bruno, Edcarlos e Sérgio: o quarteto mais 'movimentado' da turma
     
    É verdade que seria impossível fugir do ponto de inflexão: a consolidação do Cristianismo como a nova e mais vigorosa referência do nosso mundo. A sensibilidade dos alunos, no entanto, proporcionou o surgimento de abordagens diferenciadas, que valorizaram mais um ou outro detalhe. Foram vários quinze minutos de conceitos diferentes, personalizados.

Lucas, as duas Camilas e Jeferson: destaques em todas as disciplinas 


Fábio, Welton e Bárbara: afinidade diária

     E não posso deixar de destacar que houve um - digamos - 'complicador': a apresentação foi feita não para nossa ótima professora Renata Sancovsky - com a qual todos estão acostumados, mais envolvidos -, mas para um de seus mestrandos, especialista na temática religiosa.

Gabriel, Gustavo e Felipe: juntos no 739 e nos trabalhos

Thaís, Mariana, Carolina e Bárbara: o quarteto indissolúvel do canto esquerdo da sala 18

     Sem dúvida, foi mais uma tarde daquelas que me fazem estar orgulhoso de poder pertencer à comunidade dessa aplicadíssima Turma 31 do curso de História da UFRRJ.



Jéssica, eu e Ana Carolina: juntos em Medieval, PPTC, Teoria etc etc etc



segunda-feira, 29 de julho de 2013

Em tese (ou em 'teoria'), foi tudo bem ...

   
Os próximos encontros antes das aulas serão menos tensos, até que comece a nova fase de testes

     Foi bem melhor do que todos pensavam - ou temiam. A prova de Teoria e Metodologia da História, embora longa, não provocou o terremoto que vinha sendo antecipado. Ao contrário. Todos - ou quase - saíram da sala 18 acreditando em, no mínimo, sessenta por cento dos pontos em disputa, o que seria um desempenho muito bom, levando-se em conta que ao resultado será acrescido o desempenho nos debates e em outras atividades, para definição da nota total (a prova de hoje vale seis pontos, em dez possíveis).
     E, aí, fico na obrigação de dividir o crédito pelo que suponho ter sido o bom resultado da turma: à garotada, dedicada e determinada, e ao professor, o ainda jovem Fábio Lopes. As seis questões tinham respostas plausíveis, o que pode parecer algo natural, mas isso nem sempre acontece.
     Não tenho dúvidas em afirmar que a confiança na elaboração das respostas foi diretamente proporcional ao conteúdo que ficou gravado em todos, graças aos debates, ao processo de encadeamento de ideias, à lógica dos textos. E isso é mérito de quem apresenta a matéria, do resultado da didática aplicada.
     Particularmente, ficaria satisfeito com algo em torno de quatro. Meu grupo (assim como os demais), pela participação dos meus jovens colegas, deve chegar ao fim do 'semestre' letivo com boa avaliação. Talvez três dos quatro pontos ainda em aberto. Das cinco matérias, duas já estão bem encaminhadas (Teoria e Metodologia da História e Prática de Produção de Textos Científicos) e uma delas - Sociologia - segue pelo mesmo rumo.
     Ficam restando, de fato, duas Histórias, a Antiga e a Medieval, ainda não avaliadas mais profundamente. Os próximos dias prometem 'suspense'.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

O primeiro grande desafio

     Há um clima de expectativa rondando a sala 18 do Instituto de Ciências Humanas e Sociais da UFRRJ. Segunda-feira é dia de prova para a turma 31, de História. E uma prova com Fábio Lopes, sinônimo - pelo que sugerem suas aulas - de exigência. A disciplina - Teoria e Metodologia da História - até que é bem agradável e as discussões têm sido interessantes, abertas e envolventes.
     Mas é justamente na sua abrangência teórica que reside o desafio maior. De Marc Bloch a Leandro Karmal - com incursões por Keith Jenkins e Antoine Prost -, muitas teses e descobertas foram desenvolvidas ao longo dos últimos dois meses. O 'ofício', as 'questões', o 'repensar'  e as 'fontes' do historiador preencheram nossas últimas segundas-feiras, passeando pelas escolas metodista (positivista) e dos Annales; pelas críticas interna e externa; relatório ou pesquisa; ideologia ou ciência.
     Na verdade, será nosso primeiro, grande e ... saudável desafio.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Mobilização na rede

     Venho repetindo que estou tendo muito prazer em, finalmente, estar cursando História (um projeto que vinha desenvolvendo há alguns anos). As aulas são motivadoras, os professores muito bem qualificados. Enfim: tem sido o que se pode esperar de uma universidade federal, com a responsabilidade que a UFRRJ acumulou nos seus anos de vida.
     Mas acho que o prazer não seria tão completo se não fizesse parte dessa turma muito especial de jovens alegres, inteligentes e muitíssimo bem-humorados. Hoje, durante  boa parte do tempo, a garotada ficou mobilizada na internet, para definir como será nossa semana de atividades, tendo em vista a Jornada da Juventude (vários feriados e contratempos no trânsito do Rio) e a realização de um encontro de historiadores em Natal.
     Não tivemos aula hoje e já sabemos que uma de nossas professoras não irá amanhã e quinta. Havia, então, uma grande expectativa sobre a segunda aula de amanhã, que foi ... mantida. A decisão serviu como senha para uma divertida mobilização pela rede social, que concluiu por um 'boicote'. A turma optou por ficar em casa, estudando para o testes de Medieval (confirmado para quinta-feira) e de Metodologia da História, segunda que vem.
     Eu já estava preparado para pegar o 739 (Campo Grande-Seropédica), mas começo a repensar. Afinal, seriam duas horas e meia de ida e outro tanto de volta para assistir a uma aula. Acho que vou aderir à maioria ...

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Da França à Mesopotâmia, sem escala

     Luís Lobianco, noso professor de História Antiga, é um personagem que se mostra inesgotável. Se eu fosse obrigado a caracterizá-lo em uma palavra, apenas, diria que ele é 'efervescente', com uma capacidade inesgotável de falar, de ir e vir no tempo, de saltar do Egito faraônico para as manifestações de rua que vêm marcando o Brasil nos últimos dias. Não há tema proibido.
     Hoje, por exemplo, deu uma aula sobre Edith Piaf, a cantora francesa morta precocemente, aos 48 anos, em 1963. Para ser mais exato, Lobianco mergulhou no filme Piaf, sobre a vida da cantora, que ele vai apresentar e debater brevemente aqui na Universidade, num projeto paralelo. "Todo mundo pensou que eu iria falar sobre filmes sobre o Egito", brincou.
     De um momento para outro, no entanto, pulou com absoluta destreza do cinema para o processo que resultou nas transformações do homem, quando da passagem do que chamamos de pré-história para a história e do surgimento das primeiras cidades-estado na Mesopotâmia.
     Tudo isso, depois de ter reproduzido, com 'cores', o drama em que se tornou sua vinda de casa para o campus, ao longo de três gigantescos engarrafamentos. Os alunos mais antigos são unânimes em recomendar que aproveitemos ao máximo essa chance de tê-lo como professor.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Sinceridade ...

     Eu sei que esse espaço vem sendo usado para falar da nossa turma, da integração, dos anseios, da qualidade das aulas, desse processo de conhecimento. Mas eu não estaria sendo honesto comigo, nem com os 'caríssimos leitores', se deixasse de fazer o registro que se segue, com direito a um comentário irônico:
     Esse aviso/convite está na página da Universidade e espalhado pelo campus: "O Grupo de Estudos Sobre o Agro Contemporâneo (GEAC), da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) convida a todos para a conferência 'A questão agrária no Brasil no início do século XXI', a ser ministrada por João Pedro Stédile, dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Via Campesina".
     Não posso deixar de não ir.

Uma turma 'dividida'

     Não é um concurso formal. Talvez não seja sequer percebido. Mas fica bem claro, para mim, a cada dia, que nossa turma está 'dividida' entre duas matérias. Na verdade, entre dois professores: Luís Lobianco, de História Antiga, e Renata Sankovsky, de Idade Média, cada um com seu estilo, forma.
     Lobianco é absolutamente informal. Senta na mesa, faz seus lanches durante a aula, sai de sala com a roupa imunda de giz. Viaja não apenas pelo Egito e Mesopotâmia, mas por ciências e pensamentos totalmente distintos. Mais do que dar uma aula, realiza uma 'performance'.
     Já as encontros com Renata remetem a um culto. Não há conversas paralelas, interrupções desnecessárias. Ela transborda conhecimento. Entra e sai de sala impecável.
     São excelentes, não há dúvida. Assim como os demais professores (são cinco, nessa primeira fase).
     Talvez em virtude da formação prévia, tenho me sentido mais envolvido com o processo de um terceiro professor, Fábio Lopes, de Teoria da História, um campo mais aberto ao debate, às interpretações. Um campo mais livre para troca de ideias.

domingo, 14 de julho de 2013

Vivendo a nova vida

     Se dependesse apenas deles, acredito que todos os meus jovens colegas da Turma 31 do curso de História estariam morando ali nas redondezas da Universidade, ou - preferencialmente - nos alojamentos existentes no campus. E não apenas pelo sacrifício exigido nos deslocamentos diários pela maltratada Estrada Rio-São Paulo, que não é pouco, é preciso reconhecer.
     A garotada está vivendo o momento em que o jovem anseia por independência, por dominar seus horários e decisões, por ampliar o círculo de relacionamentos. Há uma evidente compulsão por  expandir as possibilidades de diálogo, de debater o passado, sim, nas nossas aulas de Medieval e Antiga, mas principalmente discutir o presente e o futuro.
     Já há um grupo bem grande vivendo essa nova fase da vida com outra perspectiva. Os que não podem, pelas mais variadas razões, tentam compensar chegando cedo, participando de grupos de leitura, saboreando o tempero do restaurante universitário.
     Mas seria injusto deixar de registrar que a chegada das sextas-feiras é festejada pelos que por lá ficam durante a semana e que têm a chance de passar o fim de semana em casa. Quase todos, no entanto, mal conseguem esperar a hora da volta. E, nesses casos, exploram as possibilidade do Facebook, para compensar a distância física.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Participação especial

     Tive, hoje, a exata noção do interesse dessa Turma 31 pelo curso de História. Como ontem, quinta-feira, não houve aula, em virtude da adesão do corpo docente à paralisação comandada pelas centrais sindicais, cheguei a imaginar que encontraria a sala vazia, que a maioria dos alunos emendaria a folga com o fim de semana, deixando Luís Lobianco sem plateia para sua aula de Antiga I (e ele claramente adora ...).
     Ao contrário do que supus, a garotada compareceu e, honrando um compromisso assumido na semana passada, chegou meia hora mais cedo, para compensar a perda de aulas passadas. Essa participação deixou evidente o prazer proporcionado por essa imersão na história do homem, do processo que resultou na constituição das primeiras cidades da Mesopotâmia (região do atual Iraque) e das dinastias, deuses e símbolos egípcios.
     A Universidade, como um todo, estava vazia. A turma dos alojamentos fez as malas na quarta-feira. Até mesmo o 'bandejão' não apresentava a fila de todos os dias. E aqui vale um misto de explicação e confissão: sei das filas por 'ouvir dizer', pois ainda não tive a oportunidade de provar o tempero do restaurante universitário. Mas já estou me preparando para a experiência. A garotada garante que a comida é boa. E se pensarmos em custo/benefício, certamente deve ser excelente: R$ 1,45, sem limites.


quarta-feira, 10 de julho de 2013

A turma de peladeiros

     Confesso que estava esperando algo pior. Talvez influenciado pelo preconceito de meu genro mais novo, Guilherme, um 'peladeiro profissional', se é que esses dois opostos podem se unir. Quando comentei com ele que estava pensando em aceitar o convite de meus jovens colegas de turma para um futebol semanal, mas que temia - é evidente! - o peso dos anos e do meu longo afastamento das quadras (12 anos), fui, digamos, 'tranquilizado'.
     - Estudantes de História? Não jogam nada. Pode ir ....", decretou.
Não é bem assim. A garotada leva jeito, como pude constatar hoje, ao assistir a um racha realizado em uma das boas quadras da Universidade. Cautelosamente, limitei-me a observar. Minha volta - se é que ela vai acontecer - precisará ser ser lenta, gradual e no dia em que, finalmente, estiver novamente de carro (já falei sobre o roubo de meu Celta, há 40 dias). Acho que não aguentaria dar meia dúzia de chutes e encarar o 739 para Campo Grande em seguida.
     Voltando aos peladeiros. Se fosse dar nota, diria que, dos dez que se aventuram na quadra, dois ou três receberiam algo em torno de sete, uma ótima nota, segundo critérios rígidos (vou me reservar, mais uma vez, o direito de não dar nomes).
     Os demais, pelo esforço e dedicação, mereceriam uma nota seis, com louvor. A favor da maioria, tenho que ser justo!, o fato de a bola usada no início não estar devidamente cheia.  Com bola murcha, até mesmo Falcão - o gênio das quadras - talvez não conseguisse fazer os milagres que ainda distribui pelo país, aos 36 anos.
   
     PS: Fico devendo mais essa foto. Deixei a máquina em casa, para aliviar o peso da mochila, inflado com dois livros sobre Idade Média, tema da nossa ótima aula de hoje.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Criação conjunta

     Confesso que cheguei a temer não pela aceitação, mas pela integração. Nossas gerações  - a minha e a de meus colegas da Turma 31 do curso de História da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - estão a 'anos-luz' de distância.
     O primeiro sinal de que havia uma ponte nos ligando foi a supressão do tratamento de 'senhor' (já sou Marco, para todos, como contei há alguns textos). O segundo foi, certamente, o convite para participar de uma pelada de futebol de salão. Foi tão espontâneo que estou propenso a aceitar. Seria um novo retorno. Dos bancos escolares, foram 39 anos. Das quadras, doze.
     Outros acenos se seguiram.
     Um dos mais tocantes, entretanto, é sem dúvida, a repercussão - ótima!!! - dos textos que venho publicando sobre esse dia a dia que fica mais 'viciante' a cada reencontro em frente à sala 18; a cada aula, mesmo as menos interessantes; a cada conversa (sempre interessantes) nos intervalos, no ponto de ônibus que fica em frente ao Instituto de Ciências Humanas e Sociais e nas longas viagens pela antiga, esburacada e sempre engarrafada estrada Rio-São Paulo.
     Esse blog, como venho repetindo, é uma criação conjunta minha e de meus novos amigos (já somos amigos, sim...). Pode até, eventualmente, mudar de tom, como em toda relação. A nossa, nessas cinco primeiras semanas de convívio, vive uma saborosa lua de mel.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Essa turma 31 ...

     Nesse primeiro momento do Curso de História, há duas matérias que favorecem especialmente a discussão, o raciocínio, o debate, a interação: Sociologia e Teoria e Metodologia da História. E tem sido nelas que eu venho descobrindo e vivenciando o potencial dos meus jovens colegas, alguns com não mais de 18 anos.
     Os temas derramados sobre a turma exigem, além da obrigação de ler  os textos indicados, uma sensibilidade que vai além da forma, extrapola o conteúdo. Algo que tem acontecido com mais frequência do que eu poderia ter imaginado. Hoje, por exemplo, quatro ou cinco jovens alunos transformaram as quase quatro horas de aula em um tempo muito prazeroso.
     Vou me permitir não citar nomes, pois há um 'revezamento' natural entre eles. Hoje foram alguns, ontem foram outros, amanhã ... Essa - digamos - 'efervescência' é, talvez, o elemento mais marcante do dia a dia, que contagia e faz querer mais.
     Parodiando o 'grito de guerra' do meu time, essa turma 31 é boa, é mesmo da 'fuzarca'.

domingo, 7 de julho de 2013

Sonhos juvenis

     Essas viagens diárias, especialmente nos ônibus da linha 739, a caminho ou de volta da Rural, têm me dado a oportunidade de troca de ideias, experiências e visões do mundo com essa garotada não tão bronzeada, mas que tem 'mostrado seu valor'. Ontem, escrevi sobre a estudante de Pedagogia que me emocionou ao ter a notícia que poderia, sim, continuar estudando, graças a um trabalho que conquistou na própria Universidade.
     Não foi a primeira e, espero!, não será a última. Nas últimas semanas, os longos deslocamentos têm sido 'encurtados' pela discussão de temas específicos do curso, em particular, e gerais, sobre os mais diversos assuntos, com maior ênfase na visão crítica do momento, em questões políticas. Falo muito, reconheço, mas procuro ouvir ainda mais.
     Em nenhum momento me sento compelido a contestar, replicar. Ao contrário. Absorvo tanto quanto exponho. No mesmo dia de meu encontro com a jovem futura pedagoga, na viagem de ida para a Universidade, escutei, com certo encantamento, os planos políticos de um jovem colega da Turma 31. Ele acredita firmemente que tem uma obrigação com seus semelhantes e pensa em usar toda a sua energia para defender os menos favorecidos.
     E me distinguiu - não tenho dúvidas - ao dividir comigo suas inquietações.

sábado, 6 de julho de 2013

Outra história do 739

A garotada do 739, a caminho do ponto que fica em frente ao ICHS

     Estar cursando História na Rural tem me proporcionado a oportunidade de vivenciar momentos bem prosaicos, sim, como a saga nos ônibus da linha 739 (Campo Grande-Seropédica) e outros absolutamente especiais. Ontem, tive a chance de conjugar os dois, já no fim da tarde.
     Como a aula (Antiga 1) ultrapassou um pouco nosso horário normal de saída, encontramos o ponto que fica bem em frente ao Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS) muito cheio. Hora do rush. Só da minha turma havia algo em torno de uma dúzia de pessoas, aqueles mesmos jovens que passaram a viagem de quinta-feira discutindo sobre os destaques de Bangu e Campo Grande, acrescidos de um grupo que mora nos alojamentos e estava indo para casa no fim de semana.
     Dessa vez, não esperei por eles. Embarquei no primeiro ônibus que passou, apesar de cheio, pensando em chegar em casa o mais rapidamente possível. Não imaginava que teria uma longuíssima viagem pela frente. O engarrafamento habitual do quilômetro 32 transformou-se, ontem, num suplício triplicado. Reinava o caos absoluto. Um caos que provocou um nó no já conturbado trânsito. O mundo parou por ali.
     Eu, que normalmente opto por viajar em pé, para minimizar as consequências de meus problemas com sacolejadas e afins, acabei sentado ao lado de uma jovem que, fiquei sabendo logo em seguida, também era aluna da Rural. Começamos a conversar naturalmente. Falamos da Universidade, do campus, do seu curso (ela faz Pedagogia), desse meu retorno à academia.
     Já em Campo Grande, ao me despedir, fiz questão de parabenizá-la. Involuntariamente, havia escutado sua conversa, por celular, com o namorado. Ela, radiante, contava que acabara de saber que conseguira um emprego na própria Universidade, para secretariar uma professora envolvida na defesa de tese de mestrado: "Eu estou muito feliz", dizia. "Vou poder continuar estudando".
      Uma alegria genuína, de quem conquistou o direito de realizar um sonho. Confesso que a alegria dessa jovem me emocionou.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Uma cena 'ruralina'


     O campus da Rural - e eu tenho insistido nesse ponto - é, por si só, uma atração. Enorme, ajardinado e arborizado, ainda conta com um belo lago e prédios convidativos. Por suas características, e por abrigar escolas referenciais na área animal, conta com seus bandos de cães vira-latas - mansos! - que se espalham pelos pátios dos institutos, à espera de uma sobra de lanche e/ou de um afago.
     Hoje havia um grupo em volta da nossa sala, a 18. Bem-recebidos, ficaram rondando por ali, no intervalo entre as aulas de Sociologia e História Medieval. Já estávamos em plena atividade, em meio a um teste sobre as visões iluminista e romântica da Idade Média, quando um deles - na verdade, uma - aproveitou a porta aberta e, sem fazer cerimônia, deitou e dormiu logo à frente da primeira fileira de carteiras.
     Procurei automaticamente a máquina que sempre está ma mochila. Não estava comigo. Ao trocar o material, deixei-a em cima de um sofá. Alguns dos meus jovens colegas, entretanto, registraram a cena e prometeram enviar o registro, para ser usado aqui no Blog.
Fica a cobrança.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

A bordo do 739

     A ideia para o texto de hoje, sobre esse desafiante dia a dia universitário que venho tentando relatar ao longo desses exatos 30 dias não foi minha, tenho que confessar. Mas fui o motivador, certamente. Pela primeira vez participei da primeira etapa do que podemos classifica de 'volta coletiva'. Explicando melhor: o grupo de alunos que se dirige a Campo Grande, por morar ou para embarcar em outra condução, como é o meu caso, se reúne e literalmente invade o primeiro ônibus da linha 739 que passa pelo West Shopping (há outra linha que segue direto pela antiga Rio São Paulo).
     São dez ou doze jovens com idade variando entre 17 e 22 anos, que exploram o prazer de estarem vivendo esse momento único. Imaginem a algarávia e os temas das conversas. Hoje, o grupão de dividiu em dois: os que moram em Campo Grande e os que passam por esse bairro central da Zona Oeste a caminho de Bangu e arredores. E cada 'grupinho' passou a defender ardentemente seu bairro, apontando  suas peculiaridades e destacando os pontos negativos do outro.
     Com o argumento de ser originário de Marechal Hermes, fui escapando aos poucos da sonora disputa. Até que esse meu - digamos - isolamento foi 'denunciado' por um dos jovens. Disfarcei, troquei de lugar com outro dos meus jovens colegas e, reconheço!, fui saindo. Sem vencedores, a disputa cedeu lugar a debates sobre cinema e música. A essa altura, em um ritmo menos acelerado.
     Embora  a uma cômoda distância, tenho que admitir que a viagem passou mais rapidamente.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Uma 'síndrome' agradável

     Sabem aquela sensação de que está faltando alguma coisa, que o dia está incompleto? Passei a manhã e o começo da tarde assim, procurando, inconscientemente, uma resposta. E ela chegou, na forma de um 'diagnóstico'. Estou vivendo uma - digamos ... - síndrome. A 'síndrome de abstinência' do prazer de estar frequentando o curso de História da UFRRJ, de ser obrigado a ler determinados autores, de estar convivendo com uma geração que tem muito a acrescentar à minha experiência.
     Quando decidi enfrentar novamente um vestibular, ano passado (acho que posso chamar o exame do ENEM de vestibular), apenas imaginava que seria possível, sim, extrair prazeres desse 'desafio intelectual', que é como classifico esse retorno aos bancos escolares. Um desafio que também tem muito de físico, sou obrigado a reconhecer. Afinal, há um longo caminho entre a Pedra - onde decidi me estabelecer a partir da redefinição da minha vida profissional - e o campus da Rural, no quilômetro 47 da antiga Rio-São Paulo, em Seropédica.
     Hoje, tenho certeza que está valendo a pena. A ansiedade pela volta à normalidade, às aulas, é a maior evidência. Um sentimento, aliás, que é compartilhado pela garotada que compõe a Turma 31 e que já forma um grupo invejável, pela integração, identificação e afinidade.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

A garotada me 'adotou'


     De um momento para outro, meu número de amigos, e não apenas no Facebook, deu um salto, e não apenas quantitativo. Apesar das décadas que teoricamente nos separam, meus jovens colegas do curso de História estão me 'adotando', carinhosamente. Já faço parte da comunidade dos alunos da Turma 31 e consegui, até, alguns comentários favoráveis ao conteúdo do meu outro blog (O Marco no Blog), onde ouso algumas avaliações especialmente sobre os momentos brasileiros.
     Acho, até, que já não sou olhado com (ou 'como') curiosidade, pelo menos na parte que nos cabe nesse belíssimo campus da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, a Rural. Passadas as primeiras quatro semanas de atividades, sinto que a barreira foi superada. Um bom indício: a garotada aboliu o 'senhor' do tratamento. Eu já sou só o 'Marco' e 'você' para quase todos.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Prazeres e compensações

     Em outras circunstâncias, em outro momento na minha vida, eu certamente estaria lamentando o cancelamento das aulas de hoje (nossos mestres vão parar por dois dias) principalmente em virtude do tempo perdido no deslocamento até a Universidade, algo em torno de duas horas distribuídas em dois ônibus distintos. Um tempo que poderia ser mais bem aproveitado.
     Hoje, posso garantir que minha maior frustração foi apenas e tão-somente o fato de não ter tido as aulas. Esse reencontro com a vida acadêmica tem sido especialmente prazeroso, pelos desafios naturais impostos pelo currículo e pela oportunidade de estar vivendo e interagindo com os jovens que compõem a turma 31.
     Até mesmo as intermináveis e sacolejantes viagens entre a Rural e Campo Grande, onde pego nova condução para a Pedra, têm passado com relativa rapidez, graças à companhia de alguns colegas de sala. Ouso dizer que, em alguns momentos, eles - os deslocamentos a bordo dos ônibus da linha 739 - chegam a ser bem agradáveis.
     Mas não nego que estou contado os dias para, finalmente, repor o carro que nos foi roubado. O prazer vai aumentar muito, tenho certeza.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Sobre histórias

     Tem sido interessante - e gratificante, confesso! - verificar como o jornalismo ainda é encantador, atraente, embora envolto por uma aura que não necessariamente corresponde à realidade de um mercado saturado e ameaçado pelo avanço irreversível do mundo virtual. Aos poucos, descobri que vários de meus jovens colegas da Turma 31 do Curso de História da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro têm esse sonho, certamente motivado pela vontade de protagonizar mudanças, exercer esse 'poder' que emana dos jornais, revistas e telejornais.
     Sempre que sou estimulado a falar alguma coisa sobre meus mais de 40 anos de jornalismo, 32 deles passados em grandes redações, lembro que História e Jornalismo são complementares. Acredito, mesmo, que um historiador tem tudo para ser um jornalista mais minucioso, investigativo, envolvido com os vários tempos que compõem o momento.
     Além do esperado e comprovado prazer do convívio e do desafio a que me propus, ao retornar aos bancos escolares, acrescentei mais um: falar de um exercício que me ajudou a respeitar os fatos e o contraditório, com a isenção possível e a emoção fundamental.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Matando aula ...

     Depois de passar quase cinco horas em ônibus, era previsível: uma enxaqueca como há muito tempo eu não sentia e enjoos, provocados por uma labirintite que me acompanha há muio tempo e não resiste às sacolejadas, curvas, paradas bruscas e cheiro de óleo diesel queimado. Tudo isso temperado por 90 minutos ouvindo compulsoriamente uma conversa inacreditavelmente estúpida entre um casal de 'colegas' da Rural.
     Em determinados momentos, na interminável viagem de volta, cheguei a pensar em saltar no meio do caminho, ficar por ali mesmo. Resultado: 'matei aula' hoje. Seria impossível repetir a dose. Os assaltantes que levaram nosso carro, há 20 dias, roubaram também parte do meu prazer de ir à Universidade.
     A antiga Rio-São Paulo, caminho natural para a UFRRJ, está impraticável, principalmente no famoso quilômetro 32, ali nas imediações da CEDAE, perto do Rio Guandu que nos abastece.
     Aquele trecho é algo inadmissível. Não há sinalização, calçadas, meio-fio, policiamento, ordem. Caminhões, carretas enormes, ônibus, carros de passeio, bicicletas, carroças e gente disputam o mesmo espaço, cortado por uma sequência de quebra-molas e buracos 'naturais'. É o caos absoluto.
     De carro, ainda há a opção de usar a RJ 099, por Itaguaí. É mais distante e o percurso fica mais longo, é verdade, mas, ao menos, ainda não há o asfixiante engarrafamento diário e a qualquer hora registrado na Rio-São Paulo. Resta torcer para que o seguro, afinal, libere a indenização, ainda retida em virtude de entraves burocráticos referentes à documentação.

sábado, 15 de junho de 2013

Os sábados prometem ...

     Um sábado que, ao que tudo indica, será típico dos próximos tempos. Ao longo do dia, aproveitei horas que seriam dedicadas apenas e tão-somente ao puro lazer para colocar em dia a leitura obrigatória.
     'Repensei' a História, lendo um texto do historiador britânico Keith Jenkins, para a aula de Teoria e Metodologia da História (segunda-feira); passei algum tempo mergulhado na apresentação da Crítica da Economia Política, um texto de Karl Marx de 1859, para Introdução à Sociologia, terça-feira; e um pouco menos na elaboração de um breve resumo sobre um artigo, para Prática de Produção de Textos Científicos também na terça.
     É verdade que, normalmente, poderia ter dividido as tarefas, ao longo do fim de semana (durante a semana tem sido impossível!). Mas amanhã é dia de festa: Pedro, meu neto mais novo, comemora seus primeiros seis anos de vida, um momento imperdível e inegociável.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Uma semana, de fato

O lago é um dos destaques do campus

     A primeira semana, de fato, com aulas diárias das 13 às 17 horas, já passou. Poderia ter sido ainda melhor, não fosse o desgaste provocado pelos engarrafamentos recorrentes, na ida e na volta, independentemente do caminho escolhido. O tempo perdido no trânsito é irrecuperável.
     Já não há mais grandes surpresas. O enorme e belo campus da Universidade foi sendo conquistado - e conquistando - aos poucos. Por sorte, os dias têm sido claros e relativamente amenos. Sem falar no ar-condicionado da sala, que funciona, e bem.

A bicicleta é a grande opção para os deslocamentos entre os pavilhões

     Os cinco professores se apresentaram e às suas disciplinas, seus critérios de avaliação e estilos. Em comum, a preocupação em estimular o debate e valorizar a leitura. Já existem textos suficientes para preencher as poucas horas vagas que sobram entre as obrigações do dia a dia - que continuaram as mesmas - e as exigências acrescentadas pelo curso.
     No total, quinze dias a menos nos quatro anos de desafios.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Em defesa do patrimônio

 
Em grupo, enquanto as portas da sala não são abertas

 Já tinha decidido esquecer esse assunto, mas os atos de vandalismo registrados em São Paulo e no Rio, mascarados como protestos contra o reajuste das tarifas de transporte público, fizeram com que eu repensasse. A baderna nas ruas e praças cariocas e paulistanas ainda pode ser creditada à simples presença de marginais e à deplorável manipulação executada pela militância político-partidária.
     Quebrar vitrines e pichar monumentos históricos faz parte do processo de estupidificação dos componentes dessas gangues e que a Folha gentilmente classificou de 'ativistas'. Como se ativismo e vandalismo fossem sinônimos. Não são.
     Eu estranhei, no primeiro dia efetivo de atividades letivas aqui na UFRRJ, que as salas estivessem fechadas, apesar de o horário das aulas estar bem próximo. Não fazia muito sentido, a princípio. Só quando cheguei mais perto entendi o motivo. Cartazes coladas nas portas alertavam que os alunos só poderiam ficar nas salas quando acompanhados pelos professores, para contornar o 'histórico' de roubos e depredações. Jamais imaginaria que isso fosse possível.

A explicação para as portas fechadas

     Vendo as fotos e lendo os relatos das últimas 'manifestações', fui obrigado a admitir que não há limites nem fronteiras definidas. Um aluno que desrespeita um lugar tão especial quanto uma universidade pública, como a 'Rural', certamente não teria constrangimento algum em atacar um centro de cultura como o do Banco do Brasil, uma das referências da cidade.
     Pelo olhar que venho lançando sobre a 'minha turma', no entanto, posso afiançar que o cartaz da sala 18 poderia ser retirado.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Desde sempre

Os lanchinhos, entre uma aula e outra  

   Tem sido interessante - muito interessante, na verdade! - observar a capacidade de integração dos meus jovens colegas de classe. Quem entrasse hoje na sala 18 do Instituto de Ciência Humanas e Sociais da UFRRJ, pela primeira vez, apostaria que a garotada do primeiro semestre do Curso de História já se conhece e convive há alguns outonos, e não há apenas dez dias. É impossível não invejar - no ótimo sentido do termo, se é que ele existe - a capacidade de eliminar a dificuldade que nós, adultos, eventualmente demonstramos em nossas relações.
     É claro que há os menos extrovertidos e alguns poucos tímidos, mas isso não cria barreiras, ou limitações. A consciência de estar participando de um momento especial na vida de todos  quebrou todas as cerimônias. Como quase todos são muito jovens - há um grupo bem grande com inacreditáveis 17 anos -, em determinados momentos o clima me remete às salas de aula do antigo ginásio, no Colégio Pedro II, na já remotíssima década de 1960. Estou tentando aproveitar também essa oportunidade.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Saudável irreverência

     Minha relação com os cerca de trinta jovens da turma T31 tem tido momentos engraçados. Como em todo grupo, há os introvertidos (poucos) e os absolutamente extrovertidos e irreverentes, no boníssimo sentido da palavra.  Nesse início de atividades, o tempo tem sido  gastos com a apresentação das propostas pedagógicas de cada professor, seus critérios de avaliação, estímulos ao debate.
     Hoje não foi diferente, em especial nos dois tempos dedicados à introdução do que será a disciplina de Prática de Produção de Textos Científicos, o oposto do que venho fazendo há quase quarenta e cinco anos. Notícias, embora fundadas, não são exatamente exemplos de produção científica, embora eventualmente sirvam como fontes para a historiografia.
     Estimulada pela proposta de cada um se apresentar e à sua expectativa de vida acadêmica, a garotada brincou, fez piadas, aplaudiu e, literalmente, vaiou jocosamente os colegas que confessaram estar no curso, mas sem muita convicção. Para a maior parte do grupo, fazer História não é apenas uma opção, mas o único objetivo.
     Entrando no clima, envolvida pelas brincadeiras, nossa professora, numa gentileza comigo, brincou: "Está vendo onde nos metemos, Marco Antonio?", como se, de fato, pertencêssemos à mesma geração.
     Antes, na minha vez de falar, repeti o que venho dizendo aos amigos que me questionam sobre a motivação para voltar à sala de aula. Reafirmei que estou encarando como um desafio intelectual e que espero explorar profundamente essa oportunidade. Cultural e socialmente.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Começando, para todos os efeitos

    Como o equipamento não estava disponível, o jeito foi apelar para os velhos quadro e giz

      A nova fase dessa já minha longa vida começou, de fato e de direito. Foram quase quatro horas sobre o que nos espera num futuro imediato, em Teoria e Metodologia da História, disciplina a cargo do jovem e articulado professor Fábio Lopes, também ele doutor, como os demais componentes do corpo docente do curso. Isso, depois de eu ter participado de uma reunião de trabalho, pela manhã, na Ilha do Fundão, sobre o livro que eu e Antoninho de Paula, um velho amigo, contemporâneo do antigo JB  e sócio em uma empresa de comunicação estamos fazendo sobre os 80 anos da na Escola de Química da UFRJ.
     
Na sala de aula, com um grupo de jovens 'colegas'

     Um reencontro estimulante com teses, disciplina, organização. Naturalmente incisivo, fiz um enorme esforço para não protagonizar, discutir, embora estimulado - como todos! - a participar. Houve um momento, entretanto, em que não resisti. Foi assim.
     Para ilustrar determinado conceito sobre exemplos de interpretações erradas ou simplórias de fatos, características de momentos históricos, o jovem professor lembrou que há 40 anos, quando queria assustar uma criança, sua avó acenava com o perigo dos comunistas, que "comiam criancinhas". Certamente, foi uma alegoria. Usou uma imagem acessível, com um acento jocoso, para provocar uma reação descontraída, risos.
     É verdade que sorri, mas por não me conter e emendar com uma provocação. Perguntei se sua avó - dele, professor - já conhecia, à época, os fatos relativos ao genocídio comandado por Stalin, o que 'justificaria' a advertência que fazia aos netos. Afinal, os 'comunistas' da fase stalinista não comeram literalmente, mas mataram milhões de ucranianos e  mesmo russos, no processo de equilibrar o império que surgiu a partir de 1917 e caiu juntamente com o Muro de Berlim.
     No fim do dia, uma longa e alegre fila na sala de xerox para retirar o texto que será debatido na próxima aula. Foi como se voltasse no tempo.

Parte da 'minha turma', no pátio interno do Instituto, aguardando a aula

     Antes que eu deixe passar: esse primeiro semestre letivo será ministrado integralmente na sala 18 do Instituto de Ciências Humanas Sociais. Uma sala antiga - especialmente se comparada às do moderno Pavilhão de Aulas Teóricas - e precisando de retoques para controlar as infiltrações que avançam pelo teto e paredes.