sexta-feira, 9 de agosto de 2013

O 'ib' de Lobianco

O julgamento de Lobianco

     Luiz Lobianco, nosso professor de História Antiga, é um personagem talvez inigualável. Já escrevi, há alguns dias, que ele produz uma torrente de informações que não se 'limitam' aos séculos de civilizações mesopotâmica, egípcia, grega e romana. Seu mundo não cabe em meros dez ou  doze séculos. Ao contrário, avança por todas as variáveis que vão surgindo minuto a minuto. Não tenho dúvida em afirmar que é um exemplo clássico da efervescência que deve presidir a vida acadêmica.
     Seu perfil muito particular é capaz de fazer seus ouvintes viajarem por diversos universos. Não tenham dúvida: ele é um espetáculo, em si mesmo. Alguém capaz, por exemplo, de nos surpreender com uma cena inigualável, como a de hoje. Atrasado para o início da aula - por razões absolutamente justas!!! -, ligou para Bárbara, nossa aluna-representante, e pediu que fôssemos para a sala de aula e começássemos a preparar um resumo sobre um dos textos, para debate. Marcou um horário. Não conseguiu cumprir.
     De repente, a porta da nossa sala - fechada, para preservar o alívio proporcionado por um aparelho de ar-condicionado - abre-se e surge Lobianco, irresistível, de joelhos, pedindo desculpas por chegar além do horário. Ainda ajoelhado, olha para o quadro de giz e fica emocionado ao ver que um grupo de alunos tinha esboçado seu julgamento, à moda egípcia.
     Condenado a não penetrar no mundo de Osíris (na balança, seu coração - o ib - pesara mais do que a pluma de avestruz), levanta e começa no mesmo momento a falar sobre deuses e mitologia.

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