quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

A maldição do Pocovu

     Eu já estava preparado para curtir a decepção em Santo Antônio do Aventureiro, uma cidadezinha na Zona da Mata Mineira, meu destino amanhã. Uma viagem normalmente muito boa, para um lugar especial por várias razões, entre elas a beleza e a emoção. Um grande amigo, um irmão que eu tinha há 35 anos, comprou um sítio nesse lugarejo há três ou quatro anos e vinha transformando aqueles 50 ou 60 mil metros quadrados em um canto especial.
     Vocês devem lembrar: ele morreu há cinco meses e eu venho fazendo o que posso para ajudar sua mulher, mãe de um de meus afilhados, a deixar tudo em ordem.  As primeiras idas foram marcadas pela tristeza. As seguintes, não. Parece que ele está lá, conferindo a criação de galinhas, a horta, o volume de água do rio que atravessa o sítio e abastece um lago cheio de peixes que ele comprou quando ainda alevinos.
     Vou com Jonathan, meu fiel escudeiro. E já estava imaginando uma viagem repleta de exclamações, ponderações, esculhambações e ... palavrões. Tudo por obra e graça de ‘tia’ Gláucia e do inferno que a primeira nota que ela postou prenunciava: um mísero 1, na primeira prova, aquela que eu ia entregar em branco, seguindo Bárbara e Carolina. E acho que vale uma admissão de culpa: se eu pensei em entregar a prova em branco, a nota um já era um prêmio. 
     Uma nota UM vezes 0,2. Estava dando exato 0,2 na média. Faltariam então, praticamente inalcançáveis 4,8 pontos para me livrar das lanças de Cortez, das interrogações do Pocovu (nem sei se é assim que se escreve, e não tenho a menor vontade de saber...), das maldições maias. Pesei a situação e a balança foi inflexível: reprovado. Avaliei por algum tempo a realidade e decidi: iria trancar a matrícula. Não podia sequer me imaginar repetindo América I ano que vem. Meu estômago não suportaria.
     Gabriel e Caio bem que tentaram me demover da ideia de não fazer a optativa. Prometeram mandar resumos, ajuda. Jonathan ponderava que nem tudo estava perdido. Agradeci muito a força de todos, desliguei o computador e fui ver o jogo do Barcelona.
     Há meia hora, por desencargo de consciência, abri o computador e soube, pelo Lutz, que havia novas notas (havia, e não HAVIAM, como alguns de nossos mestres insistem em apregoar, pois o verbo haver, no sentido de existir, não flexiona!). Fui ao quiosque e as novas notas estavam lá: com a ajuda do Lutz e de um computador de última geração, concluí que conseguira o impossível. Ainda faltando a nota da prova 2, eu já conseguira inacreditáveis 5,4!!!
     Trocara, assim, o trancamento de matrícula por um inevitável afundamento de CR, que nesse exato momento, despencou quase um ponto, se comparado ao do período anterior.
     De qualquer modo, o passeio a Aventureiro terá um sabor mais doce. Afinal, vou continuar com vocês, pelo menos por mais alguns meses.

sábado, 7 de junho de 2014

A Universidade vai à escola

    Nosso grupo, liderado pela professora Regina Ribeiro (terceira da esq. para dir.)

     Acredito que seja mais um bom momento para tentar retomar a publicação de alguns dos muitos acontecimentos dessa convivência nesse campus tão especial, pela beleza física e pela diversidade que oferece. Na quarta-feira, por exemplo, a manhã de um grupo de alunos de História do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), do qual faço parte, foi dedicada a uma visita à Escola Bananal, onde vamos realizar um trabalho com estudantes do ensino médio, em parceria com seus professores.

Regina e duas alunas, na biblioteca da escola

As professoras Márcia e Maria José, da Escola Bananal

A garotada, que se preparada para enfrentar concursos

     Há uma enorme expectativa, de ambos os lados. A possibilidade de participar, desde já, do processo de formação de jovens é um estímulo para todos. E ficou claro, para nós, que a Escola - localizada em uma pequena comunidade carente e isolada - precisa de todo o apoio. Para se ter uma ideia, o acesso é feito em estrada de terra e só há uma linha de ônibus, que funciona com intervalos de duas horas.
O acesso à escola remete a paisagens do interior do país

     A Escola do Bananal é uma das que serão englobadas no programa, que reúne 80 alunos da graduação em História, divididos em grupos de dez.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Exemplos imperiais

     Tomo a 'liberdade' de reproduzir, aqui, no nosso blog, um pequeno texto postado no 'O Marco no Blog'. Os temas - nossa Universidade e a política - se confundem.

  Leituras nessas férias escolares (*): 'Sabres e utopias', de Mario Vargas Llosa (Editora Objetiva), recomendado e emprestado por Paulo Sérgio Carvalho, um fraterno amigo de infância; e 'D. Pedro II', de José Murilo de Carvalho para a série 'Perfis brasileiros', da Companhia das Letras, que me foi cedido por Flávia, minha filha mais velha, que o resenhou há algum tempo.
     Em 'D. Pedro II', no capítulo 11 (Autorretrato), alguns exemplos do pensamento do nosso segundo imperador e que poderiam (deveriam?) ser aproveitados por essa gente que está no poder.
    Vamos a alguns trechos: ".. Não posso admitir favores diferentes de justiça..."; "... Também entendo que despesa inútil é furto à Nação..."; "... A nossa principal necessidade política é a liberdade de eleição; sem esta e a imprensa não há sistema constitucional na realidade ..."; e "... A tribuna e a imprensa são os melhores informantes do monarca ...".
     Sábias observações.

     (*) Já falei sobre isso algumas vezes. Mas não custa repetir, até mesmo para situar eventuais novos leitores desse Blog.. Quase 40 anos depois de ter sentado pela última vez em um banco escolar (no belo e maltratado prédio do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFRJ ), voltei à vida acadêmica no ano passado (com direito ao Enem ...) e estou me preparando para começar o terceiro período do curso de História da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. O prazer do convívio com jovens especiais em um campus diferenciado vem servindo de combustível para um 'velho' jornalista.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Férias e tempestade


     Mais um período. Desde hoje, estamos, de fato, na terceira etapa do prazeroso desafio de cursar História na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. E as atividades não poderiam ter acabado de maneira mais peculiar: uma prova de Teoria e Metodologia que terminou sob tempestade. Tempestade real, com ventos alucinados que derrubaram diversas árvores e deixaram o campus sem energia elétrica.
     O teste, em si - pelos comentários no corredor do PAT (Pavilhão de Aulas Teóricas) -, não chegou a provocar 'chuvas e trovoadas'. Teria é uma das matérias que conquistaram adeptos graças, em especial, aos professores do primeiro período, que facilitaram o caminho dos que os sucederam.
     De direito, nossas férias só começarão sexta-feira próxima. A semana que vem será dedicada às provas optativas, última chance para os alunos que não atingiram a média mínima e para os que querem aumentar a nota final. De fato, todos se despediram hoje. A turma - a 31 - foi muito bem, mais uma vez.
     As férias, que deveriam ter sido gozadas em janeiro, são bem-vindas. O atraso ainda é consequência da necessidade de ajustar os períodos letivos, bastante prejudicados pelas últimas greves. Este ano nos reserva novas e certamente duras experiências: mais dois períodos.
     Já estou esperando ansiosamente por eles.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Estamos na semifinal

     Embora prejudicadíssimos pela cartolagem ruralina, representada por Marlon, (fomos obrigados a jogar duas partidas quase em seguida), já estamos (nós, da Turma 31) na semifinal do torneio do Curso de História. Vencemos o primeiro jogo por 2 a 1 (gols de Bruno) e empatamos, o segundo (gol de Sérgio). 
     Nos poucos momentos em que consegui me manter na quadra, ainda sob os efeitos do treino de ontem, uma jogada para 'fazer história' (que modéstia!!!): um drible arrasador em um jovem adversário, que não conseguiu reagir ao toque que rolou a bola mansamente entre suas pernas, para delírio da torcida. Só faltou o gol ... Ou não faltou?
     

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Eterno peladeiro

     Eu já havia decidido que minha brilhante e profícua carreira de jogador de peladas estava encerrada. Quando optei por esse 'exílio dourado' em Pedra de Guaratiba, longe das quadras do condomínio onde passara  23 anos da minha vida, em Jacarepaguá, guardei os pares de tênis de futebol de salão bem no fundo do armário.
     Uma aposentadoria digna, capaz de deixar boas lembranças entre os que puderam acompanhar meus gols de calcanhar (uma especialidade), os dribles rápidos, tocando a bola entre as pernas de atônitos jovens que jamais esperariam tamanha ousadia de um veteraníssimo das quadras. Até hoje, passados 13 anos do meu último pontapé em uma bola.
     Não resisti - e ainda não sei se vou me arrepender dessa temeridade por muito tempo! - à insistência de um grupo de jovens amigos do curso de História da UFRRJ, a Rural. Inscrito a forceps no torneio de futebol de salão dos futuros historiadores, sucumbi, também, à convocação para um treino preparatório da equipe.
     O argumento, tenho que admitir, tinha alguma procedência: precisávamos dar um mínimo de estrutura à equipe. Ponderei, no entanto, que necessitávamos, sim, de muitos 'atletas', especialmente para ocupar a posição que, em tese, me caberia. E jamais tentar enfrentar o escaldante verão carioca. Como se poderia prever, alguns reservas faltaram e o treinamento começou sob o sol das 17 horas.
     Tenho que admitir, a bem da verdade, que o resultado não foi tão desastroso quanto previa, apesar de um esborracho na quadra, provocado pela mais absoluta falta de noção de espaço, perdida ao longo dos últimos anos.
     "Um gol, um toque de calcanhar que bateu na trave, alguns passes inteligentes (confesso que a modéstia não é um dos meus atributos quando o tema é futebol) e preocupantes sinais emitidos pelos músculos adutores das duas coxas, responsáveis diretos pelo pedido de substituição e pelo sinal amarelo: minha escalação, amanhã, na estreia do torneio de alunos do Curso de História da UFRRJ, está ameaçadíssima".
     Melhor assim. Se os sintomas se confirmarem e o bom-senso me tirar das quadras, certamente ficará a dúvida do que poderia ser. Se o time perder, então, restará uma questão ainda mais digna: "E se o Marco jogasse?"

PS: Esse texto também foi publicado no 'O Marco no Blog': www.marcoantoniogribeiro.blogspot.com.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Do medievo à maiêutica


   

Parte do campus, visto de uma janela de uma das salas do PAT. A paisagem ajuda a enfrentar desafios

     A sala 'tremeu'. Nosso professor de Medieval II, após um longo e calorento fim de primavera e início de verão, reapareceu na turma da noite e despejou nos nossos incautos colegas uma série de exigências que deverão ser cumpridas em uma semana, entre elas um alentado trabalho sobre as teses de Jèrome Baschet e Marc Bloch acerca do que ficou caracterizado como a Idade Média prolongada. O reencontro com nossa turma deverá acontecer amanhã, quando são esperadas surpresas semelhantes.
     Nas demais disciplinas vai tudo bem, com uma interrogação: o que acontecerá na prova de Ciências Políticas? Para nosso 'alívio', nosso jovem professor decidiu eliminar Nicolau Maquiavel da cobrança. Vamos ficar limitados aos pré-socráticos (desde Tales de Mileto), aos sofistas, tão combatidos por Sócrates e seu discípulo Platão, a Protágoras e a Aristóteles. Na essência, estaremos discutindo a concepção de política que surgiu na Grécia, cinco séculos antes de Cristo, e que parece tão atual.
     Em Antiga II, demos partida ao ciclo de seminários que comporão a nota final. Nesse período letivo, nossa professora, Renata Sancovsky, a grande unanimidade do Curso de História da UFRRJ, optou por um desafio diferente: a análise de filmes épicos, como 'Ben Hur' , 'O rei dos reis' e 'Jesus de Nazaré', por exemplo, com uma abordagem crítica histórica.
     Os demais desafios também já estão marcados. Uma prova de Teoria da História II, abordando conceitos de Antoine Prost, por exemplo, e um seminário de Filosofia. No nosso (meu e dos demais participantes do meu grupo, Jéssica, Ana Carolina e Nayana) caso, a tarefa é discutir a 'retórica', o que vai nos remeter, em especial, à maiêutica socrática, o parto da verdade no ser humano.
     E eu (ainda) estou adorando ...

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Derretendo, a caminho do PAT(íbulo?)

     A cada caminhada até o PAT (Pavilhão de Aulas Teóricas) e ao IZ (Instituto de Zootecnia, que nos cede uma sala para a aula de Antiga II), sob um sol escaldante semelhante ao que fazia o Nordeste gemer de dor - como no velho samba-enredo -, mais aumenta a saudade que a turma 31 sente da sala 18 do nosso Instituto de Ciências Humanas e Sociais, o ICHS, onde passamos - eu e meus jovens novos amigos - o primeiro período.
     As distâncias na Rural são assim mesmo, enormes, convidando a longas caminhadas por um dos campus mais bonitos do país. Com esse verão alucinante, no entanto, o prazer de desfrutar o lugar vem sucumbindo rapidamente.
     Por algum motivo, até agora inexplicável, em todo o caminho que leva do ponto de ônibus situado na antiga Rio-São Paulo, exatamente em frente ao ICHS, ao PAT não há uma árvore sequer. Nem mesmo um arbusto. É inacreditável que alguém tenha projetado um prédio moderno e bem-equipado, como é o Pavilhão, e esquecido que ele foi plantado no meio do nada, exposto tanto ao sol inclemente quanto às chuvas e ventos.
     Como venho usando meu carro mais do que o bom-senso e meu 'bolso' recomendariam, não sofro tanto com o calor. Nas idas e vindas, quase sempre percorro os caminhos entre o PAT, os demais pavilhões e o ponto de ônibus com o carro lotado. socializando o ar-condicionado, quando consegue superar a temperatura ambiente. O enorme estacionamento do PAT também não tem sombra.
     Na nossa festa de 'amigo oculto', quinta-feira passada, todas as barras de chocolate sucumbiram. E o verão está só começando.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Doce amizade

    


A turma (quase) toda

     Foi por acaso. Essa volta aos textos sobre o dia a dia no curso de História da UFRRJ, a nossa Rural, não estava programada. Mas não poderia passar de hoje, dia da nossa festa de 'Amigo oculto', adiada de dezembro. O lugar escolhido para a reunião não poderia ser melhor: o belo Jardim Botânico dessa universidade realmente muito especial.

Com Carolina, minha amiga 'oculta'

 Caio e Camila
 Eduardo e Camila
 Tainara e Cássia (Bárbara ao fundo)
 Tainara e Thaís
 Thaís e Sérgio
 Bárbara e Leonardo
 Mariana e Bárbara
 Welton e Lucas
 Leonardo e Welton
 Nayana e Jéssica
Jonhatan e Felipe

     Montamos a mesa de 'guloseimas' (cada aluno foi incumbido de levar algum 'petisco') na beira de um lago, sob uma sapindus saponaria I., a popular 'saboneteira', árvore da família sapindaceae (é evidente que tudo isso estava na plaquinha explicativa), e aproveitamos a beleza do lugar. Caio, Jonhatan e Gabriel Lutz foram além e deram um mergulho.

 O chocolate ficou para a amanhã: recebi um abraço de outra Carolina, a Ana
 Bárbara e Eduardo
 Gabriel Lutz e Jonhatan
 Camila e Gabriel Folena
 Solange e Bruno
 Edcarlos e Solange
 Jefferson e Camila
Jéssica e Caio

     Um 'amigo oculto' de chocolates, prejudicado pela inclemência desse calor alucinante que vem nos sufocando. As barras de Diamante Negro e semelhantes sucumbiram, transformando-se em caldas. Nada, entretanto, que atrapalhasse o espírito da confraternização.

Nayana, Jéssica, Tainara, Cássia, Bárbara e Camila
 
 Na sombra e em volta da mesa
 Solange, Thaís, Gabriel Folena e Bárbara
 Aproveitando a beleza do lugar
 Nayana e Tainara
 Em volta dos 'acepipes'

 Eduardo e Caio, sob a 'saboneteira'
 Ficou na ameaça: Caio e Sérgio refugaram e Ana Carolina escapou do banho
De olho na mesa

     Precavido, e aproveitando o fato de estar me dando ao luxo de ir de carro para a Universidade (acho que, a exemplo do que ocorreu com as barras de chocolates, eu não resistiria intacto a seis ônibus ...), acondicionei meu presente em um isopor e levei outro, de reserva, sobreviventes da última incursão que fiz ao Jalapão. O espaço de sobra foi logo tomado por uma boa dúzia de barras, que recuperaram, pelo menos provisoriamente, alguma consistência.

 A jaqueira, carregada


O lago do Jardim Botânico e seu entorno: só na Rural 

     Programada para ser realizada no fim do dia, nossa festa começou mais cedo, bem mais cedo. Como vem acontecendo recorrentemente, não tivemos a aula programada, de Medieval II. Um problema que nem todo o chocolate que rolou nesse congraçamento vai conseguir adoçar.