segunda-feira, 29 de julho de 2013

Em tese (ou em 'teoria'), foi tudo bem ...

   
Os próximos encontros antes das aulas serão menos tensos, até que comece a nova fase de testes

     Foi bem melhor do que todos pensavam - ou temiam. A prova de Teoria e Metodologia da História, embora longa, não provocou o terremoto que vinha sendo antecipado. Ao contrário. Todos - ou quase - saíram da sala 18 acreditando em, no mínimo, sessenta por cento dos pontos em disputa, o que seria um desempenho muito bom, levando-se em conta que ao resultado será acrescido o desempenho nos debates e em outras atividades, para definição da nota total (a prova de hoje vale seis pontos, em dez possíveis).
     E, aí, fico na obrigação de dividir o crédito pelo que suponho ter sido o bom resultado da turma: à garotada, dedicada e determinada, e ao professor, o ainda jovem Fábio Lopes. As seis questões tinham respostas plausíveis, o que pode parecer algo natural, mas isso nem sempre acontece.
     Não tenho dúvidas em afirmar que a confiança na elaboração das respostas foi diretamente proporcional ao conteúdo que ficou gravado em todos, graças aos debates, ao processo de encadeamento de ideias, à lógica dos textos. E isso é mérito de quem apresenta a matéria, do resultado da didática aplicada.
     Particularmente, ficaria satisfeito com algo em torno de quatro. Meu grupo (assim como os demais), pela participação dos meus jovens colegas, deve chegar ao fim do 'semestre' letivo com boa avaliação. Talvez três dos quatro pontos ainda em aberto. Das cinco matérias, duas já estão bem encaminhadas (Teoria e Metodologia da História e Prática de Produção de Textos Científicos) e uma delas - Sociologia - segue pelo mesmo rumo.
     Ficam restando, de fato, duas Histórias, a Antiga e a Medieval, ainda não avaliadas mais profundamente. Os próximos dias prometem 'suspense'.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

O primeiro grande desafio

     Há um clima de expectativa rondando a sala 18 do Instituto de Ciências Humanas e Sociais da UFRRJ. Segunda-feira é dia de prova para a turma 31, de História. E uma prova com Fábio Lopes, sinônimo - pelo que sugerem suas aulas - de exigência. A disciplina - Teoria e Metodologia da História - até que é bem agradável e as discussões têm sido interessantes, abertas e envolventes.
     Mas é justamente na sua abrangência teórica que reside o desafio maior. De Marc Bloch a Leandro Karmal - com incursões por Keith Jenkins e Antoine Prost -, muitas teses e descobertas foram desenvolvidas ao longo dos últimos dois meses. O 'ofício', as 'questões', o 'repensar'  e as 'fontes' do historiador preencheram nossas últimas segundas-feiras, passeando pelas escolas metodista (positivista) e dos Annales; pelas críticas interna e externa; relatório ou pesquisa; ideologia ou ciência.
     Na verdade, será nosso primeiro, grande e ... saudável desafio.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Mobilização na rede

     Venho repetindo que estou tendo muito prazer em, finalmente, estar cursando História (um projeto que vinha desenvolvendo há alguns anos). As aulas são motivadoras, os professores muito bem qualificados. Enfim: tem sido o que se pode esperar de uma universidade federal, com a responsabilidade que a UFRRJ acumulou nos seus anos de vida.
     Mas acho que o prazer não seria tão completo se não fizesse parte dessa turma muito especial de jovens alegres, inteligentes e muitíssimo bem-humorados. Hoje, durante  boa parte do tempo, a garotada ficou mobilizada na internet, para definir como será nossa semana de atividades, tendo em vista a Jornada da Juventude (vários feriados e contratempos no trânsito do Rio) e a realização de um encontro de historiadores em Natal.
     Não tivemos aula hoje e já sabemos que uma de nossas professoras não irá amanhã e quinta. Havia, então, uma grande expectativa sobre a segunda aula de amanhã, que foi ... mantida. A decisão serviu como senha para uma divertida mobilização pela rede social, que concluiu por um 'boicote'. A turma optou por ficar em casa, estudando para o testes de Medieval (confirmado para quinta-feira) e de Metodologia da História, segunda que vem.
     Eu já estava preparado para pegar o 739 (Campo Grande-Seropédica), mas começo a repensar. Afinal, seriam duas horas e meia de ida e outro tanto de volta para assistir a uma aula. Acho que vou aderir à maioria ...

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Da França à Mesopotâmia, sem escala

     Luís Lobianco, noso professor de História Antiga, é um personagem que se mostra inesgotável. Se eu fosse obrigado a caracterizá-lo em uma palavra, apenas, diria que ele é 'efervescente', com uma capacidade inesgotável de falar, de ir e vir no tempo, de saltar do Egito faraônico para as manifestações de rua que vêm marcando o Brasil nos últimos dias. Não há tema proibido.
     Hoje, por exemplo, deu uma aula sobre Edith Piaf, a cantora francesa morta precocemente, aos 48 anos, em 1963. Para ser mais exato, Lobianco mergulhou no filme Piaf, sobre a vida da cantora, que ele vai apresentar e debater brevemente aqui na Universidade, num projeto paralelo. "Todo mundo pensou que eu iria falar sobre filmes sobre o Egito", brincou.
     De um momento para outro, no entanto, pulou com absoluta destreza do cinema para o processo que resultou nas transformações do homem, quando da passagem do que chamamos de pré-história para a história e do surgimento das primeiras cidades-estado na Mesopotâmia.
     Tudo isso, depois de ter reproduzido, com 'cores', o drama em que se tornou sua vinda de casa para o campus, ao longo de três gigantescos engarrafamentos. Os alunos mais antigos são unânimes em recomendar que aproveitemos ao máximo essa chance de tê-lo como professor.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Sinceridade ...

     Eu sei que esse espaço vem sendo usado para falar da nossa turma, da integração, dos anseios, da qualidade das aulas, desse processo de conhecimento. Mas eu não estaria sendo honesto comigo, nem com os 'caríssimos leitores', se deixasse de fazer o registro que se segue, com direito a um comentário irônico:
     Esse aviso/convite está na página da Universidade e espalhado pelo campus: "O Grupo de Estudos Sobre o Agro Contemporâneo (GEAC), da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) convida a todos para a conferência 'A questão agrária no Brasil no início do século XXI', a ser ministrada por João Pedro Stédile, dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Via Campesina".
     Não posso deixar de não ir.

Uma turma 'dividida'

     Não é um concurso formal. Talvez não seja sequer percebido. Mas fica bem claro, para mim, a cada dia, que nossa turma está 'dividida' entre duas matérias. Na verdade, entre dois professores: Luís Lobianco, de História Antiga, e Renata Sankovsky, de Idade Média, cada um com seu estilo, forma.
     Lobianco é absolutamente informal. Senta na mesa, faz seus lanches durante a aula, sai de sala com a roupa imunda de giz. Viaja não apenas pelo Egito e Mesopotâmia, mas por ciências e pensamentos totalmente distintos. Mais do que dar uma aula, realiza uma 'performance'.
     Já as encontros com Renata remetem a um culto. Não há conversas paralelas, interrupções desnecessárias. Ela transborda conhecimento. Entra e sai de sala impecável.
     São excelentes, não há dúvida. Assim como os demais professores (são cinco, nessa primeira fase).
     Talvez em virtude da formação prévia, tenho me sentido mais envolvido com o processo de um terceiro professor, Fábio Lopes, de Teoria da História, um campo mais aberto ao debate, às interpretações. Um campo mais livre para troca de ideias.

domingo, 14 de julho de 2013

Vivendo a nova vida

     Se dependesse apenas deles, acredito que todos os meus jovens colegas da Turma 31 do curso de História estariam morando ali nas redondezas da Universidade, ou - preferencialmente - nos alojamentos existentes no campus. E não apenas pelo sacrifício exigido nos deslocamentos diários pela maltratada Estrada Rio-São Paulo, que não é pouco, é preciso reconhecer.
     A garotada está vivendo o momento em que o jovem anseia por independência, por dominar seus horários e decisões, por ampliar o círculo de relacionamentos. Há uma evidente compulsão por  expandir as possibilidades de diálogo, de debater o passado, sim, nas nossas aulas de Medieval e Antiga, mas principalmente discutir o presente e o futuro.
     Já há um grupo bem grande vivendo essa nova fase da vida com outra perspectiva. Os que não podem, pelas mais variadas razões, tentam compensar chegando cedo, participando de grupos de leitura, saboreando o tempero do restaurante universitário.
     Mas seria injusto deixar de registrar que a chegada das sextas-feiras é festejada pelos que por lá ficam durante a semana e que têm a chance de passar o fim de semana em casa. Quase todos, no entanto, mal conseguem esperar a hora da volta. E, nesses casos, exploram as possibilidade do Facebook, para compensar a distância física.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Participação especial

     Tive, hoje, a exata noção do interesse dessa Turma 31 pelo curso de História. Como ontem, quinta-feira, não houve aula, em virtude da adesão do corpo docente à paralisação comandada pelas centrais sindicais, cheguei a imaginar que encontraria a sala vazia, que a maioria dos alunos emendaria a folga com o fim de semana, deixando Luís Lobianco sem plateia para sua aula de Antiga I (e ele claramente adora ...).
     Ao contrário do que supus, a garotada compareceu e, honrando um compromisso assumido na semana passada, chegou meia hora mais cedo, para compensar a perda de aulas passadas. Essa participação deixou evidente o prazer proporcionado por essa imersão na história do homem, do processo que resultou na constituição das primeiras cidades da Mesopotâmia (região do atual Iraque) e das dinastias, deuses e símbolos egípcios.
     A Universidade, como um todo, estava vazia. A turma dos alojamentos fez as malas na quarta-feira. Até mesmo o 'bandejão' não apresentava a fila de todos os dias. E aqui vale um misto de explicação e confissão: sei das filas por 'ouvir dizer', pois ainda não tive a oportunidade de provar o tempero do restaurante universitário. Mas já estou me preparando para a experiência. A garotada garante que a comida é boa. E se pensarmos em custo/benefício, certamente deve ser excelente: R$ 1,45, sem limites.


quarta-feira, 10 de julho de 2013

A turma de peladeiros

     Confesso que estava esperando algo pior. Talvez influenciado pelo preconceito de meu genro mais novo, Guilherme, um 'peladeiro profissional', se é que esses dois opostos podem se unir. Quando comentei com ele que estava pensando em aceitar o convite de meus jovens colegas de turma para um futebol semanal, mas que temia - é evidente! - o peso dos anos e do meu longo afastamento das quadras (12 anos), fui, digamos, 'tranquilizado'.
     - Estudantes de História? Não jogam nada. Pode ir ....", decretou.
Não é bem assim. A garotada leva jeito, como pude constatar hoje, ao assistir a um racha realizado em uma das boas quadras da Universidade. Cautelosamente, limitei-me a observar. Minha volta - se é que ela vai acontecer - precisará ser ser lenta, gradual e no dia em que, finalmente, estiver novamente de carro (já falei sobre o roubo de meu Celta, há 40 dias). Acho que não aguentaria dar meia dúzia de chutes e encarar o 739 para Campo Grande em seguida.
     Voltando aos peladeiros. Se fosse dar nota, diria que, dos dez que se aventuram na quadra, dois ou três receberiam algo em torno de sete, uma ótima nota, segundo critérios rígidos (vou me reservar, mais uma vez, o direito de não dar nomes).
     Os demais, pelo esforço e dedicação, mereceriam uma nota seis, com louvor. A favor da maioria, tenho que ser justo!, o fato de a bola usada no início não estar devidamente cheia.  Com bola murcha, até mesmo Falcão - o gênio das quadras - talvez não conseguisse fazer os milagres que ainda distribui pelo país, aos 36 anos.
   
     PS: Fico devendo mais essa foto. Deixei a máquina em casa, para aliviar o peso da mochila, inflado com dois livros sobre Idade Média, tema da nossa ótima aula de hoje.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Criação conjunta

     Confesso que cheguei a temer não pela aceitação, mas pela integração. Nossas gerações  - a minha e a de meus colegas da Turma 31 do curso de História da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - estão a 'anos-luz' de distância.
     O primeiro sinal de que havia uma ponte nos ligando foi a supressão do tratamento de 'senhor' (já sou Marco, para todos, como contei há alguns textos). O segundo foi, certamente, o convite para participar de uma pelada de futebol de salão. Foi tão espontâneo que estou propenso a aceitar. Seria um novo retorno. Dos bancos escolares, foram 39 anos. Das quadras, doze.
     Outros acenos se seguiram.
     Um dos mais tocantes, entretanto, é sem dúvida, a repercussão - ótima!!! - dos textos que venho publicando sobre esse dia a dia que fica mais 'viciante' a cada reencontro em frente à sala 18; a cada aula, mesmo as menos interessantes; a cada conversa (sempre interessantes) nos intervalos, no ponto de ônibus que fica em frente ao Instituto de Ciências Humanas e Sociais e nas longas viagens pela antiga, esburacada e sempre engarrafada estrada Rio-São Paulo.
     Esse blog, como venho repetindo, é uma criação conjunta minha e de meus novos amigos (já somos amigos, sim...). Pode até, eventualmente, mudar de tom, como em toda relação. A nossa, nessas cinco primeiras semanas de convívio, vive uma saborosa lua de mel.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Essa turma 31 ...

     Nesse primeiro momento do Curso de História, há duas matérias que favorecem especialmente a discussão, o raciocínio, o debate, a interação: Sociologia e Teoria e Metodologia da História. E tem sido nelas que eu venho descobrindo e vivenciando o potencial dos meus jovens colegas, alguns com não mais de 18 anos.
     Os temas derramados sobre a turma exigem, além da obrigação de ler  os textos indicados, uma sensibilidade que vai além da forma, extrapola o conteúdo. Algo que tem acontecido com mais frequência do que eu poderia ter imaginado. Hoje, por exemplo, quatro ou cinco jovens alunos transformaram as quase quatro horas de aula em um tempo muito prazeroso.
     Vou me permitir não citar nomes, pois há um 'revezamento' natural entre eles. Hoje foram alguns, ontem foram outros, amanhã ... Essa - digamos - 'efervescência' é, talvez, o elemento mais marcante do dia a dia, que contagia e faz querer mais.
     Parodiando o 'grito de guerra' do meu time, essa turma 31 é boa, é mesmo da 'fuzarca'.

domingo, 7 de julho de 2013

Sonhos juvenis

     Essas viagens diárias, especialmente nos ônibus da linha 739, a caminho ou de volta da Rural, têm me dado a oportunidade de troca de ideias, experiências e visões do mundo com essa garotada não tão bronzeada, mas que tem 'mostrado seu valor'. Ontem, escrevi sobre a estudante de Pedagogia que me emocionou ao ter a notícia que poderia, sim, continuar estudando, graças a um trabalho que conquistou na própria Universidade.
     Não foi a primeira e, espero!, não será a última. Nas últimas semanas, os longos deslocamentos têm sido 'encurtados' pela discussão de temas específicos do curso, em particular, e gerais, sobre os mais diversos assuntos, com maior ênfase na visão crítica do momento, em questões políticas. Falo muito, reconheço, mas procuro ouvir ainda mais.
     Em nenhum momento me sento compelido a contestar, replicar. Ao contrário. Absorvo tanto quanto exponho. No mesmo dia de meu encontro com a jovem futura pedagoga, na viagem de ida para a Universidade, escutei, com certo encantamento, os planos políticos de um jovem colega da Turma 31. Ele acredita firmemente que tem uma obrigação com seus semelhantes e pensa em usar toda a sua energia para defender os menos favorecidos.
     E me distinguiu - não tenho dúvidas - ao dividir comigo suas inquietações.

sábado, 6 de julho de 2013

Outra história do 739

A garotada do 739, a caminho do ponto que fica em frente ao ICHS

     Estar cursando História na Rural tem me proporcionado a oportunidade de vivenciar momentos bem prosaicos, sim, como a saga nos ônibus da linha 739 (Campo Grande-Seropédica) e outros absolutamente especiais. Ontem, tive a chance de conjugar os dois, já no fim da tarde.
     Como a aula (Antiga 1) ultrapassou um pouco nosso horário normal de saída, encontramos o ponto que fica bem em frente ao Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS) muito cheio. Hora do rush. Só da minha turma havia algo em torno de uma dúzia de pessoas, aqueles mesmos jovens que passaram a viagem de quinta-feira discutindo sobre os destaques de Bangu e Campo Grande, acrescidos de um grupo que mora nos alojamentos e estava indo para casa no fim de semana.
     Dessa vez, não esperei por eles. Embarquei no primeiro ônibus que passou, apesar de cheio, pensando em chegar em casa o mais rapidamente possível. Não imaginava que teria uma longuíssima viagem pela frente. O engarrafamento habitual do quilômetro 32 transformou-se, ontem, num suplício triplicado. Reinava o caos absoluto. Um caos que provocou um nó no já conturbado trânsito. O mundo parou por ali.
     Eu, que normalmente opto por viajar em pé, para minimizar as consequências de meus problemas com sacolejadas e afins, acabei sentado ao lado de uma jovem que, fiquei sabendo logo em seguida, também era aluna da Rural. Começamos a conversar naturalmente. Falamos da Universidade, do campus, do seu curso (ela faz Pedagogia), desse meu retorno à academia.
     Já em Campo Grande, ao me despedir, fiz questão de parabenizá-la. Involuntariamente, havia escutado sua conversa, por celular, com o namorado. Ela, radiante, contava que acabara de saber que conseguira um emprego na própria Universidade, para secretariar uma professora envolvida na defesa de tese de mestrado: "Eu estou muito feliz", dizia. "Vou poder continuar estudando".
      Uma alegria genuína, de quem conquistou o direito de realizar um sonho. Confesso que a alegria dessa jovem me emocionou.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Uma cena 'ruralina'


     O campus da Rural - e eu tenho insistido nesse ponto - é, por si só, uma atração. Enorme, ajardinado e arborizado, ainda conta com um belo lago e prédios convidativos. Por suas características, e por abrigar escolas referenciais na área animal, conta com seus bandos de cães vira-latas - mansos! - que se espalham pelos pátios dos institutos, à espera de uma sobra de lanche e/ou de um afago.
     Hoje havia um grupo em volta da nossa sala, a 18. Bem-recebidos, ficaram rondando por ali, no intervalo entre as aulas de Sociologia e História Medieval. Já estávamos em plena atividade, em meio a um teste sobre as visões iluminista e romântica da Idade Média, quando um deles - na verdade, uma - aproveitou a porta aberta e, sem fazer cerimônia, deitou e dormiu logo à frente da primeira fileira de carteiras.
     Procurei automaticamente a máquina que sempre está ma mochila. Não estava comigo. Ao trocar o material, deixei-a em cima de um sofá. Alguns dos meus jovens colegas, entretanto, registraram a cena e prometeram enviar o registro, para ser usado aqui no Blog.
Fica a cobrança.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

A bordo do 739

     A ideia para o texto de hoje, sobre esse desafiante dia a dia universitário que venho tentando relatar ao longo desses exatos 30 dias não foi minha, tenho que confessar. Mas fui o motivador, certamente. Pela primeira vez participei da primeira etapa do que podemos classifica de 'volta coletiva'. Explicando melhor: o grupo de alunos que se dirige a Campo Grande, por morar ou para embarcar em outra condução, como é o meu caso, se reúne e literalmente invade o primeiro ônibus da linha 739 que passa pelo West Shopping (há outra linha que segue direto pela antiga Rio São Paulo).
     São dez ou doze jovens com idade variando entre 17 e 22 anos, que exploram o prazer de estarem vivendo esse momento único. Imaginem a algarávia e os temas das conversas. Hoje, o grupão de dividiu em dois: os que moram em Campo Grande e os que passam por esse bairro central da Zona Oeste a caminho de Bangu e arredores. E cada 'grupinho' passou a defender ardentemente seu bairro, apontando  suas peculiaridades e destacando os pontos negativos do outro.
     Com o argumento de ser originário de Marechal Hermes, fui escapando aos poucos da sonora disputa. Até que esse meu - digamos - isolamento foi 'denunciado' por um dos jovens. Disfarcei, troquei de lugar com outro dos meus jovens colegas e, reconheço!, fui saindo. Sem vencedores, a disputa cedeu lugar a debates sobre cinema e música. A essa altura, em um ritmo menos acelerado.
     Embora  a uma cômoda distância, tenho que admitir que a viagem passou mais rapidamente.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Uma 'síndrome' agradável

     Sabem aquela sensação de que está faltando alguma coisa, que o dia está incompleto? Passei a manhã e o começo da tarde assim, procurando, inconscientemente, uma resposta. E ela chegou, na forma de um 'diagnóstico'. Estou vivendo uma - digamos ... - síndrome. A 'síndrome de abstinência' do prazer de estar frequentando o curso de História da UFRRJ, de ser obrigado a ler determinados autores, de estar convivendo com uma geração que tem muito a acrescentar à minha experiência.
     Quando decidi enfrentar novamente um vestibular, ano passado (acho que posso chamar o exame do ENEM de vestibular), apenas imaginava que seria possível, sim, extrair prazeres desse 'desafio intelectual', que é como classifico esse retorno aos bancos escolares. Um desafio que também tem muito de físico, sou obrigado a reconhecer. Afinal, há um longo caminho entre a Pedra - onde decidi me estabelecer a partir da redefinição da minha vida profissional - e o campus da Rural, no quilômetro 47 da antiga Rio-São Paulo, em Seropédica.
     Hoje, tenho certeza que está valendo a pena. A ansiedade pela volta à normalidade, às aulas, é a maior evidência. Um sentimento, aliás, que é compartilhado pela garotada que compõe a Turma 31 e que já forma um grupo invejável, pela integração, identificação e afinidade.