sexta-feira, 28 de junho de 2013

A garotada me 'adotou'


     De um momento para outro, meu número de amigos, e não apenas no Facebook, deu um salto, e não apenas quantitativo. Apesar das décadas que teoricamente nos separam, meus jovens colegas do curso de História estão me 'adotando', carinhosamente. Já faço parte da comunidade dos alunos da Turma 31 e consegui, até, alguns comentários favoráveis ao conteúdo do meu outro blog (O Marco no Blog), onde ouso algumas avaliações especialmente sobre os momentos brasileiros.
     Acho, até, que já não sou olhado com (ou 'como') curiosidade, pelo menos na parte que nos cabe nesse belíssimo campus da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, a Rural. Passadas as primeiras quatro semanas de atividades, sinto que a barreira foi superada. Um bom indício: a garotada aboliu o 'senhor' do tratamento. Eu já sou só o 'Marco' e 'você' para quase todos.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Prazeres e compensações

     Em outras circunstâncias, em outro momento na minha vida, eu certamente estaria lamentando o cancelamento das aulas de hoje (nossos mestres vão parar por dois dias) principalmente em virtude do tempo perdido no deslocamento até a Universidade, algo em torno de duas horas distribuídas em dois ônibus distintos. Um tempo que poderia ser mais bem aproveitado.
     Hoje, posso garantir que minha maior frustração foi apenas e tão-somente o fato de não ter tido as aulas. Esse reencontro com a vida acadêmica tem sido especialmente prazeroso, pelos desafios naturais impostos pelo currículo e pela oportunidade de estar vivendo e interagindo com os jovens que compõem a turma 31.
     Até mesmo as intermináveis e sacolejantes viagens entre a Rural e Campo Grande, onde pego nova condução para a Pedra, têm passado com relativa rapidez, graças à companhia de alguns colegas de sala. Ouso dizer que, em alguns momentos, eles - os deslocamentos a bordo dos ônibus da linha 739 - chegam a ser bem agradáveis.
     Mas não nego que estou contado os dias para, finalmente, repor o carro que nos foi roubado. O prazer vai aumentar muito, tenho certeza.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Sobre histórias

     Tem sido interessante - e gratificante, confesso! - verificar como o jornalismo ainda é encantador, atraente, embora envolto por uma aura que não necessariamente corresponde à realidade de um mercado saturado e ameaçado pelo avanço irreversível do mundo virtual. Aos poucos, descobri que vários de meus jovens colegas da Turma 31 do Curso de História da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro têm esse sonho, certamente motivado pela vontade de protagonizar mudanças, exercer esse 'poder' que emana dos jornais, revistas e telejornais.
     Sempre que sou estimulado a falar alguma coisa sobre meus mais de 40 anos de jornalismo, 32 deles passados em grandes redações, lembro que História e Jornalismo são complementares. Acredito, mesmo, que um historiador tem tudo para ser um jornalista mais minucioso, investigativo, envolvido com os vários tempos que compõem o momento.
     Além do esperado e comprovado prazer do convívio e do desafio a que me propus, ao retornar aos bancos escolares, acrescentei mais um: falar de um exercício que me ajudou a respeitar os fatos e o contraditório, com a isenção possível e a emoção fundamental.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Matando aula ...

     Depois de passar quase cinco horas em ônibus, era previsível: uma enxaqueca como há muito tempo eu não sentia e enjoos, provocados por uma labirintite que me acompanha há muio tempo e não resiste às sacolejadas, curvas, paradas bruscas e cheiro de óleo diesel queimado. Tudo isso temperado por 90 minutos ouvindo compulsoriamente uma conversa inacreditavelmente estúpida entre um casal de 'colegas' da Rural.
     Em determinados momentos, na interminável viagem de volta, cheguei a pensar em saltar no meio do caminho, ficar por ali mesmo. Resultado: 'matei aula' hoje. Seria impossível repetir a dose. Os assaltantes que levaram nosso carro, há 20 dias, roubaram também parte do meu prazer de ir à Universidade.
     A antiga Rio-São Paulo, caminho natural para a UFRRJ, está impraticável, principalmente no famoso quilômetro 32, ali nas imediações da CEDAE, perto do Rio Guandu que nos abastece.
     Aquele trecho é algo inadmissível. Não há sinalização, calçadas, meio-fio, policiamento, ordem. Caminhões, carretas enormes, ônibus, carros de passeio, bicicletas, carroças e gente disputam o mesmo espaço, cortado por uma sequência de quebra-molas e buracos 'naturais'. É o caos absoluto.
     De carro, ainda há a opção de usar a RJ 099, por Itaguaí. É mais distante e o percurso fica mais longo, é verdade, mas, ao menos, ainda não há o asfixiante engarrafamento diário e a qualquer hora registrado na Rio-São Paulo. Resta torcer para que o seguro, afinal, libere a indenização, ainda retida em virtude de entraves burocráticos referentes à documentação.

sábado, 15 de junho de 2013

Os sábados prometem ...

     Um sábado que, ao que tudo indica, será típico dos próximos tempos. Ao longo do dia, aproveitei horas que seriam dedicadas apenas e tão-somente ao puro lazer para colocar em dia a leitura obrigatória.
     'Repensei' a História, lendo um texto do historiador britânico Keith Jenkins, para a aula de Teoria e Metodologia da História (segunda-feira); passei algum tempo mergulhado na apresentação da Crítica da Economia Política, um texto de Karl Marx de 1859, para Introdução à Sociologia, terça-feira; e um pouco menos na elaboração de um breve resumo sobre um artigo, para Prática de Produção de Textos Científicos também na terça.
     É verdade que, normalmente, poderia ter dividido as tarefas, ao longo do fim de semana (durante a semana tem sido impossível!). Mas amanhã é dia de festa: Pedro, meu neto mais novo, comemora seus primeiros seis anos de vida, um momento imperdível e inegociável.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Uma semana, de fato

O lago é um dos destaques do campus

     A primeira semana, de fato, com aulas diárias das 13 às 17 horas, já passou. Poderia ter sido ainda melhor, não fosse o desgaste provocado pelos engarrafamentos recorrentes, na ida e na volta, independentemente do caminho escolhido. O tempo perdido no trânsito é irrecuperável.
     Já não há mais grandes surpresas. O enorme e belo campus da Universidade foi sendo conquistado - e conquistando - aos poucos. Por sorte, os dias têm sido claros e relativamente amenos. Sem falar no ar-condicionado da sala, que funciona, e bem.

A bicicleta é a grande opção para os deslocamentos entre os pavilhões

     Os cinco professores se apresentaram e às suas disciplinas, seus critérios de avaliação e estilos. Em comum, a preocupação em estimular o debate e valorizar a leitura. Já existem textos suficientes para preencher as poucas horas vagas que sobram entre as obrigações do dia a dia - que continuaram as mesmas - e as exigências acrescentadas pelo curso.
     No total, quinze dias a menos nos quatro anos de desafios.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Em defesa do patrimônio

 
Em grupo, enquanto as portas da sala não são abertas

 Já tinha decidido esquecer esse assunto, mas os atos de vandalismo registrados em São Paulo e no Rio, mascarados como protestos contra o reajuste das tarifas de transporte público, fizeram com que eu repensasse. A baderna nas ruas e praças cariocas e paulistanas ainda pode ser creditada à simples presença de marginais e à deplorável manipulação executada pela militância político-partidária.
     Quebrar vitrines e pichar monumentos históricos faz parte do processo de estupidificação dos componentes dessas gangues e que a Folha gentilmente classificou de 'ativistas'. Como se ativismo e vandalismo fossem sinônimos. Não são.
     Eu estranhei, no primeiro dia efetivo de atividades letivas aqui na UFRRJ, que as salas estivessem fechadas, apesar de o horário das aulas estar bem próximo. Não fazia muito sentido, a princípio. Só quando cheguei mais perto entendi o motivo. Cartazes coladas nas portas alertavam que os alunos só poderiam ficar nas salas quando acompanhados pelos professores, para contornar o 'histórico' de roubos e depredações. Jamais imaginaria que isso fosse possível.

A explicação para as portas fechadas

     Vendo as fotos e lendo os relatos das últimas 'manifestações', fui obrigado a admitir que não há limites nem fronteiras definidas. Um aluno que desrespeita um lugar tão especial quanto uma universidade pública, como a 'Rural', certamente não teria constrangimento algum em atacar um centro de cultura como o do Banco do Brasil, uma das referências da cidade.
     Pelo olhar que venho lançando sobre a 'minha turma', no entanto, posso afiançar que o cartaz da sala 18 poderia ser retirado.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Desde sempre

Os lanchinhos, entre uma aula e outra  

   Tem sido interessante - muito interessante, na verdade! - observar a capacidade de integração dos meus jovens colegas de classe. Quem entrasse hoje na sala 18 do Instituto de Ciência Humanas e Sociais da UFRRJ, pela primeira vez, apostaria que a garotada do primeiro semestre do Curso de História já se conhece e convive há alguns outonos, e não há apenas dez dias. É impossível não invejar - no ótimo sentido do termo, se é que ele existe - a capacidade de eliminar a dificuldade que nós, adultos, eventualmente demonstramos em nossas relações.
     É claro que há os menos extrovertidos e alguns poucos tímidos, mas isso não cria barreiras, ou limitações. A consciência de estar participando de um momento especial na vida de todos  quebrou todas as cerimônias. Como quase todos são muito jovens - há um grupo bem grande com inacreditáveis 17 anos -, em determinados momentos o clima me remete às salas de aula do antigo ginásio, no Colégio Pedro II, na já remotíssima década de 1960. Estou tentando aproveitar também essa oportunidade.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Saudável irreverência

     Minha relação com os cerca de trinta jovens da turma T31 tem tido momentos engraçados. Como em todo grupo, há os introvertidos (poucos) e os absolutamente extrovertidos e irreverentes, no boníssimo sentido da palavra.  Nesse início de atividades, o tempo tem sido  gastos com a apresentação das propostas pedagógicas de cada professor, seus critérios de avaliação, estímulos ao debate.
     Hoje não foi diferente, em especial nos dois tempos dedicados à introdução do que será a disciplina de Prática de Produção de Textos Científicos, o oposto do que venho fazendo há quase quarenta e cinco anos. Notícias, embora fundadas, não são exatamente exemplos de produção científica, embora eventualmente sirvam como fontes para a historiografia.
     Estimulada pela proposta de cada um se apresentar e à sua expectativa de vida acadêmica, a garotada brincou, fez piadas, aplaudiu e, literalmente, vaiou jocosamente os colegas que confessaram estar no curso, mas sem muita convicção. Para a maior parte do grupo, fazer História não é apenas uma opção, mas o único objetivo.
     Entrando no clima, envolvida pelas brincadeiras, nossa professora, numa gentileza comigo, brincou: "Está vendo onde nos metemos, Marco Antonio?", como se, de fato, pertencêssemos à mesma geração.
     Antes, na minha vez de falar, repeti o que venho dizendo aos amigos que me questionam sobre a motivação para voltar à sala de aula. Reafirmei que estou encarando como um desafio intelectual e que espero explorar profundamente essa oportunidade. Cultural e socialmente.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Começando, para todos os efeitos

    Como o equipamento não estava disponível, o jeito foi apelar para os velhos quadro e giz

      A nova fase dessa já minha longa vida começou, de fato e de direito. Foram quase quatro horas sobre o que nos espera num futuro imediato, em Teoria e Metodologia da História, disciplina a cargo do jovem e articulado professor Fábio Lopes, também ele doutor, como os demais componentes do corpo docente do curso. Isso, depois de eu ter participado de uma reunião de trabalho, pela manhã, na Ilha do Fundão, sobre o livro que eu e Antoninho de Paula, um velho amigo, contemporâneo do antigo JB  e sócio em uma empresa de comunicação estamos fazendo sobre os 80 anos da na Escola de Química da UFRJ.
     
Na sala de aula, com um grupo de jovens 'colegas'

     Um reencontro estimulante com teses, disciplina, organização. Naturalmente incisivo, fiz um enorme esforço para não protagonizar, discutir, embora estimulado - como todos! - a participar. Houve um momento, entretanto, em que não resisti. Foi assim.
     Para ilustrar determinado conceito sobre exemplos de interpretações erradas ou simplórias de fatos, características de momentos históricos, o jovem professor lembrou que há 40 anos, quando queria assustar uma criança, sua avó acenava com o perigo dos comunistas, que "comiam criancinhas". Certamente, foi uma alegoria. Usou uma imagem acessível, com um acento jocoso, para provocar uma reação descontraída, risos.
     É verdade que sorri, mas por não me conter e emendar com uma provocação. Perguntei se sua avó - dele, professor - já conhecia, à época, os fatos relativos ao genocídio comandado por Stalin, o que 'justificaria' a advertência que fazia aos netos. Afinal, os 'comunistas' da fase stalinista não comeram literalmente, mas mataram milhões de ucranianos e  mesmo russos, no processo de equilibrar o império que surgiu a partir de 1917 e caiu juntamente com o Muro de Berlim.
     No fim do dia, uma longa e alegre fila na sala de xerox para retirar o texto que será debatido na próxima aula. Foi como se voltasse no tempo.

Parte da 'minha turma', no pátio interno do Instituto, aguardando a aula

     Antes que eu deixe passar: esse primeiro semestre letivo será ministrado integralmente na sala 18 do Instituto de Ciências Humanas Sociais. Uma sala antiga - especialmente se comparada às do moderno Pavilhão de Aulas Teóricas - e precisando de retoques para controlar as infiltrações que avançam pelo teto e paredes.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Doce alegria

     Se eu fosse um dos candidatos a comensal do Restaurante Universitário, já saberia que, pelo menos nesse início de semestre, teria que levar um lanche reforçado de casa, ou mergulhar nos sabores de quiosques e cantinas espalhados pelo campus.
     São dez opções. Uma delas, localizada estrategicamente ao lado do alojamento masculino, é conhecida pelo sugestivo nome de 'Espaço Erva Doce', que divide clientes com o 'Quiosque da Praça da Alegria'. Eu diria que são 'complementares'.
     O restaurante está fechado em virtude da greve dos funcionários do setor técnico-administrativo. Enquanto o impasse não é resolvido, a solução encontrada pela direção foi a contratação de um serviço de quentinhas, para bolsistas e não-bolsistas.
     Segundo a direção da Universidade,  já foram tomaram "todas as providências possíveis" para atender às "reivindicações do movimento grevista".
     São os efeitos colaterais - quase sempre saudáveis - da vida em uma instituição pública.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Com que roupa ...

   
O prédio da História (também...), visto da estrada.

     Confesso que uma das minhas maiores preocupações, hoje, é saber o que vestir a partir de segunda-feira, quando começam, de fato, as aulas. O campus pede bermuda, camisas polo e calçados confortáveis, para facilitar o deslocamento (as distâncias são bem razoáveis) e esquadrinhar os belíssimos jardins, prédios e lagos.
     A turma que mora por lá usa, mesmo, bicicletas. É uma possibilidade, futura. Talvez pendurar a esquecida bicicleta no carro e, afinal, voltara a usá-la.
     O problema tem sido chegar à Universidade. O trecho da antiga Rio São Paulo nas proximidades das instalações da CEDAE está em condições lastimáveis. Buracos, ausência de calçadas e um trânsito infernal que mistura, num mesmo e exíguo espaço, ônibus, caminhões, vans, kombis, carroças, motos, bicicletas e pedestres.
     São alguns bons quilômetros de um engarramento infernal, a qualquer hora do dia, com direito aos inevitáveis transgressores, que invadem todos os espaços, fecham passagens, cortam usando a pista contrária indevidamente.
     Como a causa é justa, venho reagindo bem a esse contratempo. Mas só relaxo, mesmo, a partir de determinado ponto, quando o campus começa a tomar forma. Ainda não experimentei os ônibus. Mas tudo tem seu tempo certo.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

É isso aí, 'bixo'

     Parte da minha tarde e dos demais calouros (nossa terceira tarde ...) foi dedicada a uma reunião com os coordenadores, todos muito simpáticos, agradáveis e determinados a deixar claro que somos bem-vindos à UFRRJ, em especial aos curso de História, vinculado estruturalmente ao Instituto de Ciências Humanas e Sociais.
     Não vou negar que foi engraçado - de certa forma! - ouvir referências ao ensino recebido recentemente nas escolas do ensino médio; à necessidade de autonomia de cada um; à participação dos pais e quetais. Afinal, o público-alvo do encontro mal saiu da adolescência, com 'uma' exceção.
     Como parte da programação de boas-vindas, uma palestra da professora Gláucia Montoro sobre 'civilizações indígenas pré-colombianas da mesoamérica', uma região que avança do sul do México até os territórios da Guatemala, El Salvador, Belize, Nicarágua, Honduras e Costa Rica. Uma espécie de 'trote do bem' sobre os códices usados pelas civilizações olmeca, teotihuacana, asteca e maia.
     Já ia esquecendo: um dos 'veteranos', sentou ao meu lado no auditório do novo Pavilhão de Aulas Teóricas e perguntou se eu não me importava de ser rotulado como 'bixo', assim, com um 'estranhíssimo' xis, classificação que eu já não lembrava que existia para caracterizar os recém-chegados a uma instituição de ensino. Deixei o jovem veterano bem à vontade.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Sucesso na segunda 'prova'

     Passei com extrema facilidade pela segunda 'prova' nesse meu reencontro com a vida universitária. É verdade que não aconteceu exatamente o que minhas filhas e alguns de seus e meus amigos mais próximos previam. Pelo menos, ainda não.
     Levando em conta o que elas classificam de minhas claras e manifestas restrições a determinados vultos ainda inexplicavelmentre cultuados nesse início de século 21, minhas filhas apostavam que eu não resistiria às primeiras camisetas com a estampa de Che Guevara. Pois foi pior, e eu saí incólume.
     De repente, do meio de um grupo de jovens, surgiu uma coluna uniformizada com camisas exaltando ... Hugo Chávez. Lembrei, no mesmo momento, das provocações familiares e fui obrigado a sorrir. E não doeu.
     Eu avisei que não contassem com esse fator como estímulo à minha desistência. É claro que estou preparado para ouvir discursos que vão me remeter diretamente aos anos 1960/1970. A identificação dos muito jovens e pouco experientes com determinados ícones é absolutamente natural. Esse processo faz parte do crescimento. E as universidades são o terreno mais aberto aos debates, incluindo ideológicos. Ainda bem.
     Sorri, também, em determinados momentos da aula inaugural, pontilhada, aqui e ali, com mensagens político-partidárias.
     Acho que o bolão não terá ganhadores.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Com pinta de calouro

A recepção aos calouros ocorreu, também, no belo pátio interno, às margens do lago

     Não, não fui 'pintado' no meu primeiro dia de calouro do curso de História da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Alguns veteranos - todos quase com idade para serem meus netos - chegaram a perguntar se eu gostaria de participar da brincadeira, delicadamente. Abri mão do batismo - que todos preferem chamar de 'recepção cidadã', alegre, que eliminou o arcaico trote -, mas, confesso, gostei do fato de eles terem cogitado. Foi ótimo para quebrar o gelo que poderia existir entre gerações tão diferentes.

Meus colegas de História, devidamente pintados

     Foi um dia de festa, mesmo. A alegria daquela multidão de jovens no primeiro dia de suas novas vidas me contagiou. A lamentar, apenas, o fato de o dia estar sombrio, com uma chuva intermitente. A beleza do campus da Rural, ali no quilômetro 47 da antiga Rio-São Paulo, no município de Seropédica, no entanto, superou com folgas a ausência da luz do sol.

A reitora Ana Maria, na mesa que presidiu a 'aula inaugural'
     Não houve aula, fato. A semana inteira será dedicada ao entrosamento dos novos alunos, que precisam ser ciceroneados pela imensidão do campus. Eu me perdi prazerosamente algumas vezes, até encontrar o prédio onde é ministrado o curso de História, logo depois da cerimônia de abertura do semestre, dirigida pela reitora Ana Maria Dantas Soares e que contou com a participação de todos os pró-reitores.
     Foram momentos especiais, em um lugar especialíssimo. Tão especiais que já começo a me sentir contagiado pelo espírito 'ruralino', tão ressaltado por todos os professores.

domingo, 2 de junho de 2013

O começo de uma nova história

     Já estou me preparando para iniciar uma nova fase da minha já longa vida. Amanhã, dia 3 de junho, começo a cursar História na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, 38 anos depois de ter pisado pela última vez em uma sala de aula, no velho IFCS da UFRJ, no Largo de São Francisco, Centro do Rio de Janeiro. Na época, já jornalista (cursei o Instituto Superior de Jornalismo, que não mais existe), trabalhava em O Globo e foi dificílimo conciliar. Hoje, tenho mais tempo e outras expectativas. Mas não tenho dúvida que será um grande desafio.
     Fico imaginando como será minha convivência com jovens que, em tese, poderiam até ser meus netos e com professores eventualmente mais novos do que minhas filhas, em um campus especialíssimo, pela beleza, amplitude e variedade cultural. Confesso que não sei, hoje, até onde irei. Minhas filhas fizeram um 'bolão' familiar com apostas sobre meu futuro imediato.
     Os prognósticos não são animadores, tenho que admitir. Na melhor das hipóteses, seis meses. Na pior, duas semanas. Eu não votei, por ser parte interessadíssima. Se votasse, arriscaria quatro anos, tempo exato previsto para o curso.
     A primeira semana será dedicada à ambientação dos calouros (calouro, na minha idade ...). Amanhã, aula inaugural. Nos demais dias, atividades que jamais imaginei que teria que enfrentar, como uma tal de 'churrastória'. Não sei se irei a todas. Mas pretendo.
     Minha ideia, nesse espaço que acabo de criar, é dividir com vocês as experiências, observações, momentos, com a ótica de alguém que passou os últimos 40 anos contando histórias verdadeiras, algumas dramáticas, nos principais jornais da nossa cidade.
     Boa leitura para todos.