Definitivamente, eu e as normas de Prática de Produção de Textos Científicos não nos demos muito bem, embora tenhamos convivido com relativa dignidade ao longo do período passado. Eu até sei que essa disciplina é importante no processo, mas briguei até o fim com os cabeçalhos padronizados, com as margens e espaçamentos obrigatórios, com a formalidade da apresentação do pensamento.
A culpa foi sempre minha, não tenho dúvidas. Depois de 40 anos tentando explorar as possibilidades de um texto mais livre, menos 'elaborado', aberto às ideias que surgem naturalmente, no processo de criação - mesmo que fosse na 'criação' de uma notinha de colunão -, fui encurralado pela forma.
O resultado foi a nota menos expressiva do período letivo, um 8,8 que me colocou no devido e merecido lugar de aprendiz, não mais de dono da palavra final, como estava habituado ao longo da maior parte da minha vida em redações.
Uma nota que me fez lembrar um episódio bem mais antigo, mas semelhante em oportunidade, que está reproduzido no Nariz de cera, meu livro de memórias e histórias. Eu estava em o Globo, no fim da metade dos anos 1970, e havia sido promovido a repórter especial, um dos dois primeiros da história da Geral do jornal (o outro foi Marcelo Pontes, um dileto amigo que me deu o prazer, anos mais tarde, de ter sido meu editor-chefe no Jornal do Brasil, nos anos 1990).
Com a 'prepotência' que costuma acometer a juventude, achava que tudo sabia. Certo dia, pouco antes de meu horário de trabalho terminar, foi convocado para cobrir a morte de uma jovem, encontrada nas pedras da Avenida Niemeyer. Tudo indicava suicídio. Ponderei com o chefe de então que não tinha sentido me mandar - um repórter 'especial' - para esse incidente. Além do mais, nós não publicávamos suicídios.
Fui 'convencido' a correr, sim, pois as circunstâncias - alegava meu superior - também apontavam para outras possibilidades. Fui, contrariado. O desdobramento do caso mostrou que eu estava errado, que não sabia de tudo, como imaginava. A jovem, Cláudia Lessin Rodrigues (não esqueci jamais o nome), havia sido morta por dois homens - um jovem de classe alta e um cabeleireiro famoso.
O crime, estúpido, mobilizou a cidade e ocupou as manchetes por meses seguidos, batizado de o 'Caso Cláudia'.
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