Eu já estava preparado para curtir a decepção em Santo
Antônio do Aventureiro, uma cidadezinha na Zona da Mata Mineira, meu destino
amanhã. Uma viagem normalmente muito boa, para um lugar especial por várias
razões, entre elas a beleza e a emoção. Um grande amigo, um irmão que eu tinha
há 35 anos, comprou um sítio nesse lugarejo há três ou quatro anos e vinha transformando
aqueles 50 ou 60 mil metros quadrados em um canto especial.
Vocês devem lembrar: ele morreu há cinco meses e eu venho
fazendo o que posso para ajudar sua mulher, mãe de um de meus afilhados, a
deixar tudo em ordem. As primeiras idas
foram marcadas pela tristeza. As seguintes, não. Parece que ele está lá,
conferindo a criação de galinhas, a horta, o volume de água do rio que
atravessa o sítio e abastece um lago cheio de peixes que ele comprou quando ainda
alevinos.
Vou com Jonathan, meu fiel escudeiro. E já estava imaginando
uma viagem repleta de exclamações, ponderações, esculhambações e ... palavrões.
Tudo por obra e graça de ‘tia’ Gláucia e do inferno que a primeira nota que ela
postou prenunciava: um mísero 1, na primeira prova, aquela que eu ia entregar
em branco, seguindo Bárbara e Carolina. E acho que vale uma admissão de culpa: se eu pensei em entregar a prova em branco, a nota um já era um prêmio.
Uma nota UM vezes 0,2. Estava dando exato 0,2 na média. Faltariam
então, praticamente inalcançáveis 4,8 pontos para me livrar das lanças de
Cortez, das interrogações do Pocovu (nem sei se é assim que se escreve, e não
tenho a menor vontade de saber...), das maldições maias. Pesei a situação e a
balança foi inflexível: reprovado. Avaliei por algum tempo a realidade e
decidi: iria trancar a matrícula. Não podia sequer me imaginar repetindo
América I ano que vem. Meu estômago não suportaria.
Gabriel e Caio bem que tentaram me demover da ideia de não
fazer a optativa. Prometeram mandar resumos, ajuda. Jonathan ponderava que nem
tudo estava perdido. Agradeci muito a força de todos, desliguei o computador e
fui ver o jogo do Barcelona.
Há meia hora, por desencargo de consciência, abri o
computador e soube, pelo Lutz, que havia novas notas (havia, e não HAVIAM, como alguns de nossos mestres insistem em apregoar, pois o verbo haver, no sentido de existir, não
flexiona!). Fui ao quiosque e as novas notas estavam lá: com a ajuda do Lutz e
de um computador de última geração, concluí que conseguira o impossível.
Ainda faltando a nota da prova 2, eu já conseguira inacreditáveis 5,4!!!
Trocara, assim, o trancamento de matrícula por um inevitável
afundamento de CR, que nesse exato momento, despencou quase um ponto, se
comparado ao do período anterior.
De qualquer modo, o passeio a Aventureiro terá um sabor mais
doce. Afinal, vou continuar com vocês, pelo menos por mais alguns meses.
Obrigado por estar conosco nessas desventuras ruralinas Marcão. Espero poder ir com vcs numa próxima oportunidade... XD
ResponderExcluir